Polícia
por Amanda Ambrozio
Publicado em 13/09/2026, às 16h15
A Polícia Civil prendeu neste domingo (13) Ronaldo Vivacqua, apontado pelos investigadores como sócio oculto de uma das empresas responsáveis pela obra do prédio que desabou sobre uma casa na Penha, Zona Leste de São Paulo, e deixou seis pessoas mortas.
A Justiça decretou a prisão temporária de três investigados ligados à construção. Além de Ronaldo, são alvos Cristiano Vivacqua, filho dele e apontado como autor do projeto e engenheiro responsável pela execução da obra, e Isis Brandão, que aparece formalmente como proprietária da empresa.
Segundo informações do g1, Cristiano e Isis são considerados foragidos.
De acordo com a Polícia Civil, Ronaldo não aparece oficialmente nos documentos das duas empresas relacionadas à construção. Depoimentos de testemunhas e documentos antigos, porém, indicariam que ele participava da administração e acompanhava diretamente a execução da obra.
“Nós descobrimos que ele, na realidade, é um sócio oculto”, afirmou a delegada Safira Borges Moreira.
A polícia também afirma que testemunhas relataram que Ronaldo “agia, administrava e geria e participava efetivamente da obra”. A responsabilidade de cada um dos três investigados ainda será individualizada ao longo do inquérito.
Segundo Antônio José Pereira, delegado seccional de Itaquera, policiais tentaram localizar o proprietário da empresa e o engenheiro responsável logo após o desabamento, mas não conseguiram encontrá-los.
De acordo com o delegado, os responsáveis não atenderam às tentativas de contato nem compareceram ao local do acidente.
Equipes também foram até endereços das empresas encontrados em documentos administrativos e registros da Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp), mas os investigados não foram localizados.
A ausência dos responsáveis foi apresentada pela Polícia Civil à Justiça como um dos elementos para justificar os pedidos de prisão temporária.
A delegada Safira afirmou ainda que os investigadores identificaram indícios de uma “tentativa de ocultação” por parte dos responsáveis pela obra.
A Polícia Civil também investiga se os responsáveis pela construção tinham conhecimento de problemas de estabilidade antes do desabamento.
Após o acidente, vizinhos procuraram espontaneamente os investigadores e relataram que a casa atingida já apresentava rachaduras.
Um homem que tinha familiares na residência contou à polícia que tentava entrar em contato com a pessoa de quem havia alugado o imóvel para relatar os problemas e entender o que estava acontecendo, mas não teria conseguido resolver a situação.
A polícia, no entanto, ainda não determinou a causa do desabamento. A conclusão dependerá, entre outras provas, do laudo pericial de engenharia da Polícia Científica.
Uma das delegadas responsáveis pelo caso afirmou que os investigadores trabalham com a possibilidade de que o acidente não tenha sido totalmente imprevisível.
“Começamos a investigar a possibilidade de ele ter sido não totalmente um fato imprevisível, e sim algo que os responsáveis poderiam ter tido conhecimento, da instabilidade daquela edificação.”
Outro ponto analisado pelos investigadores é o histórico da construção.
Segundo a Polícia Civil, o alvará concedido para uma nova edificação estava condicionado à demolição de uma estrutura que já existia no terreno. A polícia afirma que essa exigência não foi cumprida.
Quando a autorização foi concedida, a estrutura anterior tinha aproximadamente cinco ou seis andares. Naquele período, a Prefeitura já havia entrado na Justiça para pedir a demolição do imóvel.
A autorização para a nova construção estabelecia que a edificação existente deveria ser derrubada antes da continuidade do novo projeto.
Após o acidente, a Prefeitura abriu uma investigação na Controladoria-Geral do Município (CGM) para apurar a fiscalização da obra.
As primeiras informações da administração municipal indicaram que a demolição exigida pode não ter sido realizada, apesar de uma vistoria de fevereiro de 2024 ter registrado que a determinação havia sido cumprida.
A servidora responsável pelo documento foi afastada inicialmente por 30 dias.
O prédio em construção desabou por volta das 2h de sábado (12), na Rua Tequici, na Penha, durante uma madrugada de chuva, e atingiu uma casa vizinha.
Oito pessoas estavam no imóvel no momento do acidente. Duas foram resgatadas com vida e seis morreram: três mulheres, dois homens e uma menina de 7 anos.
O corpo da criança, última vítima que permanecia desaparecida, foi localizado na tarde deste domingo. Com a identificação de todas as vítimas, o Corpo de Bombeiros encerrou as buscas emergenciais.
A New Home Construtora informou que abriu uma investigação interna para apurar as circunstâncias do desabamento. A empresa afirmou que ainda não existem elementos suficientes para determinar a causa do acidente.
A construtora também disse que pretende analisar a movimentação de terra realizada em um terreno vizinho e afirmou que não vai se eximir de eventual responsabilidade que seja apontada pelas investigações.
A empresa declarou ainda que está prestando apoio às famílias afetadas e que fornecerá os esclarecimentos solicitados pelas autoridades.
As defesas de Ronaldo Vivacqua, Cristiano Vivacqua e Isis Brandão não foram localizadas.
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