Polícia
Uma operação da Polícia Federal revelou o furto de amostras de vírus em um dos ambientes mais seguros do país dentro da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
A professora Soledad Palameta Miller, de 36 anos, foi presa em flagrante na segunda-feira (23), suspeita de retirar material biológico de um laboratório com nível três de biossegurança, o mais elevado em operação no Brasil, segundo informações do portal Metrópoles.
De acordo com as investigações, parte das amostras foi localizada em dois freezers no prédio da Faculdade de Engenharia de Alimentos, onde a docente atuava. Outro volume do material foi encontrado descartado de forma irregular nas proximidades de um refrigerador, levantando preocupações sobre possíveis riscos sanitários.
As autoridades apontam que a professora teria acessado diferentes laboratórios sem autorização formal, em alguns casos com ajuda de terceiros. O material, composto por amostras virais e organismos geneticamente modificados (OGMs), teria sido manipulado e armazenado em desacordo com normas técnicas de segurança.
O caso acende um alerta sobre falhas em protocolos de controle de acesso e manuseio de agentes biológicos sensíveis. O conteúdo exato das amostras permanece sob sigilo, enquanto especialistas avaliam os potenciais impactos do armazenamento inadequado.
Após a apreensão, os itens foram encaminhados ao Ministério da Agricultura e Pecuária, com suporte técnico da Agência Nacional de Vigilância Sanitária. A investigação segue em andamento para esclarecer as circunstâncias do furto e identificar possíveis envolvidos.
Os crimes apurados incluem furto qualificado, fraude processual e transporte irregular de material biológico. A universidade informou que abriu sindicância interna e colabora com as autoridades.
Apesar da gravidade do caso, a Justiça Federal concedeu liberdade provisória à professora no dia seguinte à prisão. A decisão considerou que ela não possui antecedentes criminais e tem residência fixa.
Como condição, a docente deverá cumprir uma série de medidas, como comparecimento mensal à Justiça, proibição de deixar Campinas por mais de cinco dias sem autorização e impedimento de acessar os laboratórios envolvidos. Também está proibida de sair do país e deverá pagar fiança equivalente a dois salários mínimos.
Com formação em biotecnologia e doutorado na área de saúde, a professora construiu carreira em pesquisas complexas envolvendo vírus, vacinas e diagnósticos.
Sua atuação inclui projetos ligados à vigilância epidemiológica e ao conceito de “One Health”, que integra saúde humana, animal e ambiental.
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