Política

30ª edição da Parada LGBT+ debate pautas políticas nos trios elétricos

Foto: Gabriela Pessanha/BNews São Paulo
As pautas políticas ocuparam espaço nas falas realizadas nos trios elétricos da manifestação que acontece neste domingo (7).  |   BNews SP - Divulgação Foto: Gabriela Pessanha/BNews São Paulo
Gabriela Pessanha

por Gabriela Pessanha

Publicado em 07/06/2026, às 17h30



Às vésperas da celebração da 30ª edição da Parada LGBT+, a Câmara de São Paulo aprovou em primeiro turno o Projeto de Lei 50/2025, que prevê restrições à manifestação. Na Avenida Paulista, famílias e frequentadores repercutiram sobre o tema. 

Pouco após a concentração e contagem regressiva que marcou o início da Parada, agentes policiais se posicionaram para suporte e realizar o monitoramento próximo ao Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP)

No local, algumas famílias também acompanhavam os discursos nos trios elétricos com seus filhos. 

Entre elas, estava Patricia Silva acompanhada da esposa e suas duas filhas, de sete e um ano de idade. Pela primeira vez, o casal levava as crianças à Parada e retornam ao movimento após 15 anos sem frequentar.

Patricia explica que a motivação para o retorno foi o PL 50. 

As crianças têm o direito de conviver com nossos amigos e parentes em qualquer lugar. Elas têm duas mães e precisam vir junto com a gente. 

Outra proposta do documento é que eventos semelhantes, assim como a Parada, sejam realizados apenas em locais fechados, com controle de entrada. 

"Como é que vai proibir algo a céu aberto? É nosso direito de ir a qualquer lugar", afirma Patricia. 

André Moura, que veio do Ceará para São Paulo para aproveitar a Parada também discorda da retirada do evento da Avenida Paulista e questiona qual a necessidade de migrar a Parada para um espaço fechado.

Isso é público. É político, inclusive. 

Ele também se posicionou contra a proibição de crianças e adolescentes no evento e explica que o contato desse público com o movimento é importante para desmistificar preconceitos.

"A gente precisa criar essa consciência desde 'pequenininho', então as crianças precisam vir para entender que movimento é esse", diz.

30ª edição da Parada LGBT+ na Avenida Paulista
30ª edição da Parada LGBT+ na Avenida Paulista - Foto: Gabriela Pessanha/BNews São Paulo

Contraponto 

Na grade para assistir o discurso da deputada federal Erika Hilton (PSOL) estava Mércia Dutra, com sua filha de cinco anos, a afilhada de 14 e a irmã dela de 15 anos. 

Ela ficou cinco anos sem ir à Parada e em 2026 levou a caçula ao evento pela primeira vez. 

Antes do nascimento da filha, ela sempre frequentou a manifestação. Ela acha importante que as crianças acompanhem a manifestação, desde que protegidas. 

"As crianças têm que conviver na realidade atual. Claro, tem que proteger eles, por isso eu fiquei aqui (em frente ao MASP) e logo vou embora", explica. 

No entanto, Mércia encara com bons olhos a mudança do local da Parada e diz que iria preferir dessa forma. 

Ela explicou ao BNews São Paulo que acredita que a saída da Paulista poderia tornar o evento "mais organizado".

O que diz o PL 50/2025?

O texto do vereador Rubinho Nunes (União) determina que, mesmo acompanhadas dos pais e responsáveis, menores de 18 anos não poderão comparecer a "eventos públicos ou privados que façam alusão ou fomentem práticas LGBTQIA+, especialmente a Parada do Orgulho LGBTQIA+". 

Se aprovado na segunda votação do plenário da Câmara e sancionado pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB), a divulgação também passará por adequações.

Entre elas, sinalização da natureza do evento e aviso de restrição a maiores de idade. 

O PL ainda detalha que a comunicação visual, física ou virtual deve respeitar "os valores éticos e sociais da pessoa e da família".

A penalidade inclui multas que variam de R$ 100 mil a R$ 1 milhão. 

O texto proposto para o PL 50/2025 está disponível na íntegra.

Classificação Indicativa: Livre

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