Política
por Andrezza Souza
Publicado em 25/04/2026, às 18h05
Cerca de 31% dos brasileiros não possuem qualquer tipo de reserva financeira, segundo levantamento divulgado pela Anbima.
O estudo também revela que, entre aqueles que possuem algum recurso guardado, uma parcela significativa conta com valores suficientes para cobrir despesas por um período muito curto, o que aumenta a vulnerabilidade financeira diante de imprevistos.
Os dados fazem parte da 9ª edição do estudo Raio X do Investidor Brasileiro, que analisa o comportamento financeiro da população.
De acordo com o levantamento, 10% dos entrevistados possuem recursos suficientes para manter seus gastos por apenas uma semana. Outros 10% conseguiriam se sustentar por até um mês, enquanto 12% afirmaram ter reservas que cobrem despesas por um período entre um e dois meses.
Apenas uma pequena parcela, estimada em 3%, declarou possuir recursos capazes de garantir estabilidade financeira por cinco anos ou mais.
O estudo aponta ainda que a ausência de reserva financeira está mais concentrada entre as classes sociais de menor renda. Entre os brasileiros das classes D e E, quase metade não possui qualquer economia para emergências. Já entre os grupos de maior renda, pertencentes às classes A e B, a proporção de pessoas sem reserva é significativamente menor.
Esse cenário se torna ainda mais preocupante diante do aumento do endividamento no país. Dados recentes do Banco Central do Brasil indicam que mais de 80% das famílias brasileiras possuem algum tipo de dívida, e o comprometimento da renda com pagamentos financeiros atingiu o nível mais alto desde 2005.
Além de analisar a formação de reservas, a pesquisa também investigou os meios utilizados pelos brasileiros para realizar investimentos e aplicações financeiras. O levantamento mostra que as plataformas digitais se consolidaram como o principal canal de acesso ao mercado financeiro.
Segundo o estudo, 63% dos entrevistados afirmaram utilizar serviços on-line para investir ou administrar seus recursos. Por outro lado, cerca de 32% ainda preferem realizar operações de forma presencial, seja em bancos ou instituições financeiras tradicionais.
Os dados reforçam a tendência de digitalização do setor financeiro e indicam mudanças no comportamento dos investidores, especialmente com o avanço da tecnologia e a ampliação do acesso a serviços digitais.
Classificação Indicativa: Livre