Política

Advogado de defesa de Vorcaro deixa cargo após conflito; entenda o caso

Foto: Reprodução/Oliveira Lima & Dall’Acqua Advogados
O advogado José Luis Oliveira Lima renunciou ao caso pouco mais de dois meses após ser contratado pelo empresário e ex-dono do Banco Master  |   BNews SP - Divulgação Foto: Reprodução/Oliveira Lima & Dall’Acqua Advogados
Amanda Ambrozio

por Amanda Ambrozio

Publicado em 22/05/2026, às 16h00



O advogado criminalista José Luis Oliveira Lima, mais conhecido como Juca, deixou oficialmente a defesa do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, nesta sexta-feira (22).

A saída, confirmada por integrantes da equipe jurídica, marca a quarta mudança na composição da defesa do empresário em curto período, após os advogados Walfrido Warde, Roberto Podval e Pierpaolo Bottini também renunciarem ao caso em março.

Segundo o SBT News, o estopim para a saída de Juca foi a decisão da Polícia Federal, comunicada no início desta semana, de rejeitar a proposta de delação premiada apresentada por Vorcaro.

Segundo os investigadores, o acordo que previa manter a situação como está não seria aceito, por apresentar lacunas significativas e indícios de omissão de informações cruciais.

Foto: Reprodução/Polícia Federal.
Foto: Reprodução/Polícia Federal.

Desgaste com o STF

A relação entre o advogado e o gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), vinha sofrendo desgastes acentuados desde abril.

O clima de tensão culminou em uma discussão acalorada entre o magistrado e o defensor durante uma audiência.

O episódio, vazado para a imprensa, gerou desconfiança entre auxiliares do ministro, que atribuíram a Juca a exposição do conflito.

O ponto central da discórdia residia na suspeita de que Vorcaro estaria tentando ser seletivo na delação, com o intuito de blindar aliados políticos e autoridades, sem realizar uma confissão integral de seus próprios crimes.

Em resposta às resistências no gabinete de Mendonça, Juca teria sinalizado a intenção de levar o caso ao plenário da Segunda Turma do STF, onde acreditava possuir votos favoráveis aos interesses do banqueiro.

Rejeição da proposta

A Polícia Federal justificou a rejeição da colaboração em dois momentos distintos da investigação.

Inicialmente, houve incômodo com a demora na entrega dos anexos prometidos, o que levou a corporação a solicitar o retorno de Vorcaro para o sistema penitenciário federal em Brasília.

Após a entrega do material, a análise técnica dos investigadores concluiu que o banqueiro não confessou crimes substanciais, focando a proposta na proteção de sua rede de influência.

Diante da falta de informações e da tentativa de blindagem, a PF decidiu, na última quarta-feira (20), encerrar as negociações de delação com Vorcaro.

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