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Anvisa investiga doença rara ligada a canetas emagrecedoras usadas por pacientes em SP

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A agência reguladora, Anvisa, acompanha 13 notificações de neuropatia óptica em pessoas que usavam medicamentos para diabetes e obesidade  |   BNews SP - Divulgação Foto: Pexels
Andrezza Souza

por Andrezza Souza

Publicado em 27/09/2026, às 09h50



A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) investiga 13 notificações de suspeita de neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica (Noia), uma doença rara que pode provocar perda permanente da visão.

Os casos envolvem pacientes que utilizavam medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1, indicados para diabetes e obesidade. Entre os produtos citados estão Ozempic, Wegovy, Rybelsus e Mounjaro.

A Anvisa ressalta que os registros ainda são considerados suspeitos. A presença do medicamento e da doença na mesma notificação não confirma que o tratamento tenha causado a alteração na visão.

O que é a doença?

A Noia é uma lesão que atinge o nervo óptico, responsável por levar as informações visuais dos olhos ao cérebro.

A condição ocorre quando pequenos vasos que irrigam a parte frontal do nervo ficam obstruídos. Com a redução do fluxo sanguíneo, células nervosas podem morrer.

A perda da visão costuma aparecer de forma repentina e, geralmente, sem dor. Em alguns casos, a recuperação não é completa.

Segundo o oftalmologista Rubens Belfort Neto, ouvido pelo g1, a análise dos casos é dificultada pela presença de doenças anteriores, principalmente o diabetes. A condição pode provocar alterações nos vasos sanguíneos e deixar o nervo óptico mais vulnerável.

Quais medicamentos foram citados?

Das 13 notificações acompanhadas pela Anvisa, cinco envolvem Ozempic, três Wegovy, duas Wegovy FlexTouch, duas Rybelsus e uma Mounjaro.

Os registros podem envolver mais de um medicamento. Ao considerar os princípios ativos, são 12 notificações relacionadas à semaglutida e uma à tirzepatida.

Desde 2018, o painel de farmacovigilância da Anvisa contabiliza 24 suspeitas de neuropatia isquêmica óptica. Os demais registros estão relacionados a outras classes de medicamentos.

O painel também reúne 74 notificações de outras complicações visuais entre usuários dessas canetas. Foram registrados 37 casos de visão turva e 29 de comprometimento visual.

Os números não correspondem necessariamente ao total de pacientes, já que uma mesma notificação pode apresentar mais de um sintoma.

Relação com as canetas ainda é investigada

Um estudo publicado na revista científica JAMA Ophthalmology analisou mais de 1,6 mil prontuários e identificou risco de Noia quatro a sete vezes maior entre pacientes que receberam semaglutida.

Os pesquisadores apontaram limitações para estabelecer uma relação de causa e efeito. Entre os fatores considerados está a existência de doenças que também podem provocar a condição, como o diabetes.

Desde junho de 2025, a Noia aparece na bula dos medicamentos com semaglutida como uma reação adversa muito rara, após determinação da Anvisa.

Em entrevista ao g1, a Novo Nordisk, fabricante de medicamentos como Ozempic e Wegovy, afirmou que análises de seus ensaios clínicos não identificaram aumento da ocorrência de Noia entre pacientes que receberam semaglutida.

A empresa também declarou que considera favorável o balanço entre benefícios e riscos dos medicamentos.

A Eli Lilly, responsável pelo Mounjaro, informou ao g1 que acompanha e avalia dados de segurança relacionados aos seus medicamentos, incluindo informações sobre possíveis alterações oftalmológicas.

No Brasil, sociedades médicas recomendam que pessoas que já tiveram Noia ou apresentam perda súbita ou recente da visão suspendam o medicamento. Pacientes com diabetes em tratamento também são orientados a realizar exames periódicos da retina.

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