Política
por Amanda Ambrozio
Publicado em 19/08/2026, às 10h40
O PT pretende voltar a explorar o caso “Dark Horse”, que envolve o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), como estratégia para reagir aos ataques da oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante a corrida presidencial.
A movimentação ocorre após o avanço das investigações da Polícia Federal sobre o empresário Fabio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e o ex-chefe de gabinete da Presidência Marco Aurélio Ribeiro, conhecido como Marcola.
Os dois são citados em apurações que também envolvem a empresária Roberta Luchsinger.
Interlocutores da campanha de Lula reconhecem que a disputa eleitoral será marcada pela exploração dos casos investigados pela PF. A avaliação no núcleo petista é que os adversários tentarão associar as suspeitas diretamente ao presidente.
Apesar do desgaste provocado pelas investigações envolvendo Lulinha e Marcola, integrantes da campanha de Lula avaliam que o PT possui argumentos para contra-atacar a oposição.
A principal diferença apontada pelos petistas é que Lulinha e Marcola não são candidatos à Presidência, enquanto Flávio Bolsonaro disputa o Palácio do Planalto.
Nesse contexto, a campanha pretende recuperar informações do caso “Dark Horse”, incluindo o áudio em que Flávio pede dinheiro a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, além de notas fiscais e movimentações financeiras reveladas durante as investigações.
O caso também é alvo de inquérito da Polícia Federal.
A estratégia petista deve incluir ainda cobranças pelo avanço das investigações envolvendo Flávio.
A avaliação dentro da campanha é que as suspeitas contra Lulinha e Marcola podem perder força no debate eleitoral caso a PF não apresente novos elementos.
Lulinha é alvo de três inquéritos relatados pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relacionados a suspeitas de tráfico de influência no governo.
O filho de Lula mantém relação de amizade com Roberta Luchsinger, que, segundo a PF, teria mantido contato com o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.
A investigação também identificou um depósito de R$ 249 mil feito por Luchsinger na conta de Marcola. O ex-chefe de gabinete afirma que o dinheiro corresponde a um empréstimo pessoal.
A defesa também sustenta que duas joias, avaliadas em R$ 9,2 mil e compradas pela empresária para Marcola, fazem parte da mesma operação e teriam sido posteriormente quitadas.
Segundo a CNN Brasil, a PF ainda encontrou uma conversa na qual Luchsinger teria enviado a Marcola uma minuta de contrato para a venda de cannabis medicinal ao Ministério da Saúde sem licitação.
Até o momento, segundo aliados de Lula, não foi identificado dinheiro de Luchsinger na conta de Lulinha. Os petistas também sustentam que os valores relacionados a Marcola têm como justificativa um empréstimo.
As circunstâncias e a origem das movimentações financeiras continuam sob investigação.
A oposição já utiliza as investigações para tentar associar o governo Lula a episódios de corrupção que marcaram administrações anteriores do PT, como o Mensalão e a Lava Jato.
Na terça-feira (18), o candidato do PSD à Presidência, Ronaldo Caiado, afirmou que prefere aguardar as conclusões da PF, mas criticou Lula por minimizar as suspeitas.
“Está mais do que caracterizado quando a corrupção chega na antessala de um presidente da República”, afirmou Caiado.
O deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), candidato a vice na chapa de Flávio Bolsonaro e ex-relator da CPMI do INSS, também retomou acusações feitas durante os trabalhos da comissão.
Gaspar afirmou que a CPMI havia apontado Lulinha e Roberta Luchsinger como representantes de suposto tráfico de influência e criticou o tempo levado pela PF para avançar nas investigações.
O deputado também tentou vincular diretamente as suspeitas ao presidente Lula e afirmou que o gabinete presidencial estaria “manchado com a lama da corrupção”.
As acusações citadas pelos oposicionistas ainda são objeto de investigação, e não há, até o momento, conclusão definitiva da Polícia Federal sobre eventual participação de Lula nos fatos apurados.
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