Política

Após operação revelar corrupção, governo de SP reformula setor de integridade das polícias

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Mudanças na estrutura da SSP ocorrem após investigação apontar esquema milionário dentro da Polícia Civil  |   BNews SP - Divulgação Foto: Divulgação/GESP
Érica Sena

por Érica Sena

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Publicado em 17/03/2026, às 10h59



O governo de São Paulo publicou, nesta segunda-feira (16), um decreto que reorganiza a área de compliance da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo com o objetivo de reforçar o combate à corrupção nas forças policiais. A medida foi assinada pelo secretário Osvaldo Nico Gonçalves e ocorre dias após a deflagração da Operação Bazaar.

A reestruturação atinge a Unidade de Gestão de Integridade (UGI), criada em junho de 2023 e responsável por implementar e monitorar políticas de integridade nas polícias Civil, Militar e Penal.

O novo decreto também oficializa a nomeação de nove integrantes da pasta para executar as mudanças, incluindo delegados, capitães da PM e peritos criminais, como citado pelo site G1.

Operação expôs esquema dentro da Polícia Civil

A decisão ocorre 11 dias após a operação conduzida pela Polícia Federal, pelo Ministério Público de São Paulo e pela Corregedoria da Polícia Civil. A ação prendeu nove pessoas suspeitas de participação em um esquema de corrupção e lavagem de dinheiro.

As investigações apontam que delegacias especializadas teriam sido utilizadas como estruturas para negociação de vantagens ilegais, incluindo a manipulação de investigações e extorsão de investigados. Entre os detidos estão policiais civis, advogados e operadores financeiros.

Segundo decisão do juiz Paulo Fernando Deroma de Mello, houve uma “subversão ao dever funcional”, com uso da máquina pública para favorecer interesses privados.

Esquema envolvia milhões e métodos sofisticados

As apurações do Gaeco revelaram movimentações milionárias. Conversas interceptadas citam pagamentos de até R$ 33 milhões em um único acordo, além de valores recorrentes que variavam entre R$ 10 mil e R$ 220 mil.

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Foto: Divulgação/SSP

Para ocultar a origem do dinheiro, o grupo utilizava estratégias como a conversão de valores em créditos de vale-refeição por meio de empresas fictícias, além da simulação de operações comerciais e importações.

Medida busca prevenir novos casos

Com a reformulação da UGI, o governo estadual pretende ampliar mecanismos preventivos, como criação de protocolos internos, treinamentos e monitoramento de riscos dentro das corporações.

A iniciativa reforça a tentativa de recuperar a credibilidade das instituições de segurança pública, diante de um dos casos mais graves recentes envolvendo suspeitas de corrupção estrutural na polícia paulista.

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