Política
por Amanda Ambrozio
Publicado em 01/06/2026, às 15h15
Nesta segunda-feira (1º), durante participação no XIV Fórum de Lisboa, em Portugal, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), criticou as grandes empresas de tecnologia, as chamadas big techs.
Moraes afirmou que as plataformas digitais usam dados e algoritmos para promover uma "verdadeira lavagem cerebral" na sociedade, confinando os usuários em bolhas ideológicas e manipulando a opinião pública.
Segundo o SBT News, o magistrado também reforçou a necessidade urgente das democracias globais em se unir para conter o avanço dessas corporações e promover políticas para regulamentar as redes sociais.
Em seu discurso no painel "Democracia, populismo e polarização ideológica", o ministro destacou que o modelo de negócios das big techs transformou os hábitos, comentários e preferências de bilhões de pessoas em mercadoria política.
Ele alertou que esse ecossistema acumulou o maior acervo de informações pessoais da história, coletando registros sem autorização expressa ou consciente dos cidadãos.
De acordo com Moraes, o erro inicial das autoridades foi encarar a internet como um espaço público neutro e descentralizado, como uma "nova ágora grega".
Na avaliação dele, as plataformas possuem interesses comerciais e políticos claros, operando de forma direcionada para maximizar o engajamento e a polarização.
Moraes também chamou a atenção para os riscos geopolíticos envolvidos no monopólio tecnológico.
Ele ressaltou que ferramentas jurídicas atuais, como o bloqueio judicial de redes que descumprem leis locais, podem se tornar ineficazes a médio prazo devido ao avanço de tecnologias integradas, como redes de satélites de baixa altitude.
Para o ministro, essa evolução ameaça diretamente a soberania jurídica dos Estados nacionais.
Para ilustrar o cenário de urgência, o ministro citou a encíclica "Magnifica Humanitas", publicada recentemente pelo Papa Leão XIV. O documento papal adverte que a inteligência artificial e a tecnologia da informação não podem ficar concentradas nas mãos de poucos agentes econômicos.
Aproveitando a menção ao texto católico, Moraes brincou com a plateia ao afirmar que "não se pode dizer que o papa é comunista", rebatendo críticas comuns direcionadas a defensores da regulação digital.
O posicionamento do ministro ocorre em um momento estratégico no cenário brasileiro. O STF tem na agenda de julgamentos, prevista para este mês de junho, a análise de recursos que tratam diretamente sobre o aumento da responsabilidade civil das plataformas digitais pelos conteúdos publicados por seus usuários.
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