Política
por Marina do Val
Publicado em 11/09/2026, às 15h50
As recentes tempestades sobre a Região Metropolitana de São Paulo trouxeram um grande alívio para um dos principais mananciais paulistas.
Entre quinta-feira (10) e sexta-feira (11), o Sistema Cantareira acumulou quase 10 bilhões de litros de água em apenas 24 horas, volume atípico que equivale a cinco dias inteiros de captação para o abastecimento da população metropolitana.
A magnitude desse ganho hídrico não era observada desde meados de março, ainda no verão, quando o sistema recebeu 12 bilhões de litros em um único dia.
O mês de setembro tem se mostrado fora da curva para os padrões históricos de estiagem. Com apenas 11 dias transcorridos, o Cantareira já registrou 157,1 mm de chuva, praticamente o dobro da média histórica para todo o mês, que é de 78,8 mm.
A combinação entre precipitações intensas e temperaturas mais amenas desacelerou as perdas no reservatório e impulsionou significativamente a sua vazão natural.
Nas últimas 24 horas, a vazão de entrada alcançou a marca de 132.520 litros por segundo, valor muito acima da média registrada nos primeiros 11 dias do mês (38.880 l/s) e bem superior à média histórica para setembro, que gira em torno de 23.500 litros por segundo.
Como impacto direto dessa recarga, o volume útil do manancial subiu de 33,1% no início do mês para 34,8%, representando um ganho total de 15,75 bilhões de litros e antecipando, de forma pontual, a recuperação prevista apenas para a abertura do ciclo chuvoso tradicional a partir de outubro.
Apesar do ganho expressivo nas represas, especialistas e órgãos reguladores reforçam que o resultado representa um ponto fora da curva dentro de um cenário prolongado de escassez.
Por permanecer enquadrado na faixa de alerta, o manancial segue sujeito aos limites de captação estabelecidos pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e pela SP Águas.
Para assegurar a estabilidade do abastecimento ao longo dos próximos meses, a Sabesp mantém o protocolo de redução de pressão na rede de distribuição durante o período noturno, com duração de oito horas diárias.
Da mesma forma, a transposição de até 8.500 litros por segundo a partir da bacia do Rio Paraíba do Sul foi prorrogada até o final deste ano.
O panorama atual demonstra que, embora os temporais recentes tragam fôlego imediato ao reservatório, a segurança hídrica da Grande São Paulo continuará dependendo do consumo consciente e da continuidade das precipitações nos meses seguintes.
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