Política
por Andrezza Souza
Publicado em 03/07/2026, às 07h30
Pesquisadores identificaram um conjunto de fragmentos de proteínas do parasita causador da malária que pode contribuir para o desenvolvimento de uma vacina capaz de oferecer proteção contra diferentes espécies da doença. A descoberta foi publicada na revista científica Nature e representa um novo avanço nas pesquisas sobre imunização contra a infecção.
O estudo foi conduzido por cientistas da Fiocruz Minas, que adotaram uma estratégia diferente das abordagens mais comuns utilizadas no desenvolvimento de vacinas. Em vez de concentrar a investigação apenas na produção de anticorpos, a equipe analisou a atuação dos linfócitos T CD8+, células de defesa responsáveis por reconhecer e eliminar células infectadas.
Durante a pesquisa, os cientistas utilizaram uma técnica chamada imunopeptidômica para mapear os fragmentos de proteínas apresentados ao sistema imunológico pelas células infectadas.
Ao todo, foram identificados 453 peptídeos, derivados de 166 proteínas do parasita Plasmodium. A maior parte desses fragmentos teve origem em proteínas ligadas às funções básicas de sobrevivência do microrganismo.
Segundo os pesquisadores, essas proteínas permanecem presentes durante diferentes fases da infecção e sofrem menos variações entre as espécies do parasita, o que pode aumentar as chances de uma futura vacina oferecer proteção mais abrangente.
Na etapa seguinte, a equipe avaliou se os fragmentos identificados eram reconhecidos pelo sistema imunológico. Os testes mostraram resposta das células de defesa em pacientes infectados por Plasmodium falciparum e Plasmodium vivax, duas das principais espécies responsáveis pela malária.
Os pesquisadores também observaram reação imunológica em outras três espécies do parasita, incluindo aquelas que infectam primatas e camundongos.
Além das análises em amostras humanas, os testes foram realizados em modelos experimentais. Nesses estudos, os antígenos estimularam a resposta das células T em órgãos como o fígado e no sangue, regiões importantes durante o ciclo da infecção.
Em alguns modelos animais, os fragmentos também demonstraram efeito protetor, reduzindo a quantidade do parasita no organismo.
Os resultados indicam que os alvos identificados poderão servir de base para futuras pesquisas voltadas ao desenvolvimento de uma vacina com proteção mais ampla e duradoura contra a malária.
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