Política
por Amanda Ambrozio
Publicado em 02/09/2026, às 10h35
O médico Cláudio Lottenberg, presidente do Conselho Deliberativo da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein, iniciou na terça-feira (1) uma licença de suas atribuições na governança da instituição.
O afastamento terá validade até o fim do período eleitoral.
A decisão foi tomada após o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, anunciar Lottenberg como seu escolhido para comandar o Ministério da Saúde em um eventual governo.
O nome do médico foi apresentado durante entrevista ao Jornal Nacional, na última sexta-feira (28).
Em nota, o Hospital Israelita Albert Einstein afirmou que a licença está de acordo com as regras internas da instituição. Segundo o hospital, o Código de Ética do Einstein determina “absoluta neutralidade política” e proíbe o uso de bens e recursos da organização para fins políticos.
“Essa decisão está em conformidade com o Código de Ética do Einstein, que exige absoluta neutralidade política e veda o uso de seus bens e recursos para fins políticos”, afirmou a instituição.
A licença não representa, neste momento, uma saída definitiva de Lottenberg da estrutura do Einstein. O médico permanece afastado de suas funções de governança durante o período eleitoral, em uma medida que busca evitar uma eventual associação entre a instituição e a campanha presidencial.
Ao anunciar Lottenberg como possível ministro da Saúde, Flávio Bolsonaro afirmou que pretende levar para o Sistema Único de Saúde (SUS) características de gestão associadas ao Einstein, de acordo com o portal Metrópoles.
Entre os pontos citados pelo candidato estão investimentos em tecnologia, inovação e inteligência artificial.
Lottenberg possui uma trajetória ligada à área da saúde pública e privada. Além de presidir o Conselho Deliberativo do Einstein, ele ocupa a presidência da Confederação Israelita do Brasil (Conib) e do Instituto Coalizão Saúde (Icos), entidade que reúne representantes de diferentes setores da área da saúde.
O médico também já ocupou cargos na administração pública. Ele foi secretário municipal de Saúde de São Paulo durante a gestão do então prefeito José Serra (PSDB). Na área internacional, atuou como conselheiro consultivo do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).
A escolha também ganhou repercussão por causa de manifestações anteriores de Lottenberg sobre a condução da pandemia de Covid-19 durante o governo de Jair Bolsonaro.
O médico fez críticas a medidas adotadas pelo governo federal naquele período. Flávio Bolsonaro, porém, afirmou que as declarações não impedem a indicação e que sua escolha considera a experiência do médico para a área da saúde.
O afastamento ocorre justamente para preservar a posição institucional do Einstein diante da disputa eleitoral. Como presidente do Conselho Deliberativo, Lottenberg ocupa uma das principais posições na estrutura de governança da instituição, que é uma das organizações de saúde mais conhecidas do país.
A preocupação com a neutralidade política é especialmente relevante diante da exposição que a indicação para um eventual Ministério da Saúde trouxe ao nome do médico.
Ao se licenciar, Lottenberg deixa temporariamente suas atribuições na governança da instituição enquanto estiver envolvido, direta ou indiretamente, no contexto eleitoral.
A medida também evita que a imagem, os espaços ou os recursos do Einstein sejam associados à candidatura de Flávio Bolsonaro.
O Código de Ética citado pelo hospital estabelece justamente a separação entre a atuação institucional da organização e posicionamentos ou atividades de natureza política.
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