Política
por Marina do Val
Publicado em 21/10/2026, às 17h45
As emissões de gases de efeito estufa no Brasil registraram uma queda de 6% em 2025, alcançando o menor patamar dos últimos oito anos. É o que aponta a 14ª edição do SEEG (Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa), divulgada pelo Observatório do Clima nesta terça-feira (20).
O volume total de gases poluentes lançados na atmosfera brasileira caiu de 2,19 bilhões de toneladas de CO₂ equivalente (CO₂e) em 2024 para 2,06 bilhões em 2025. Já as emissões líquidas, que contabilizam a absorção de carbono por áreas de vegetação e florestas protegidas, recuaram 9%, somando 1,41 bilhão de toneladas, o menor valor registrado desde 2012.
O resultado positivo foi impulsionado diretamente pela redução continuada do desmatamento. Pelo segundo ano consecutivo, houve recuo na derrubada de vegetação nativa em todos os biomas brasileiros, o que gerou uma queda de 15% nas emissões brutas da categoria de mudança de uso da terra (passando de 957 milhões para 814 milhões de toneladas de CO₂e).
Com o desempenho, o Brasil ficou mais próximo de cumprir o compromisso assumido no Acordo de Paris para o ano de 2025.
A meta estabelecida para o período era de 1,32 bilhão de toneladas em emissões líquidas, e o país encerrou o ano com um volume cerca de 6% (ou 85 milhões de toneladas) acima desse patamar.
Especialistas apontam que a tendência de queda deve se consolidar ainda mais. Cálculos preliminares do SEEG indicam que as emissões líquidas poderão cair para 1,23 bilhão de toneladas, aproximando-se antecipadamente da meta estipulada para 2030 (1,20 bilhão).
Apesar do avanço histórico no combate ao desmatamento, que continua sendo a principal fonte de emissões do país, respondendo por 39% do total, pesquisadores alertam que a estabilidade ou alta em outros setores econômicos exige atenção.
O setor de agropecuária manteve-se praticamente estável, com leve retração de 0,1% (totalizando 626,3 milhões de toneladas de CO₂e), onde o gado de corte segue como o principal vetor de emissões diretas (66% do setor), impulsionado pelo metano entérico da digestão bovina.
No setor de energia, as emissões cresceram 1,2%, alcançando 427 milhões de toneladas, com um aumento puxado pelo maior consumo de combustíveis fósseis nos transportes (com altas de 3% no diesel e 4% na gasolina) e pelo acionamento pontual de termelétricas.
A categoria de resíduos registrou o maior avanço percentual, com alta de 3,6% (95,7 milhões de toneladas), reflexo do descarte predominante de lixo em aterros e lixões, em um cenário onde menos de 3% dos resíduos sólidos do país passam por reciclagem.
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