Política

Erika Hilton: Conselho de Ética aprova parecer pela cassação da deputada

Foto: Mário Agra/Câmara dos Deputados
O processo foi aberto após publicação de Erika Hilton nas redes sociais em que usou a expressão “imbeCIS”; ela tem 10 dias para apresentar sua defesa  |   BNews SP - Divulgação Foto: Mário Agra/Câmara dos Deputados
Amanda Ambrozio

por Amanda Ambrozio

Publicado em 12/08/2026, às 11h58



O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (11), por 10 votos a 5, um parecer preliminar que recomenda a cassação do mandato da deputada Erika Hilton (PSOL-SP) por quebra de decoro parlamentar.

O processo é relatado pelo deputado Cabo Gilberto (PL-PB), líder da oposição na Câmara, a partir de uma representação apresentada pelo Partido Missão, do candidato à Presidência Renan Santos.

Deputada é acusada de ofender mulheres cisgênero

O parecer aponta que Erika Hilton teria cometido quebra de decoro em uma publicação feita em 11 de março de 2026, na rede social X (antigo Twitter), após ser eleita presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher.

Na ocasião, a parlamentar reagiu às críticas sobre sua eleição e afirmou não se importar com a opinião de “transfóbicos e imbeCIS”.

“Não estou nem um pouco preocupada se o esgoto da sociedade não gostou [...] Podem espernear. Podem latir. Eu sou a presidenta da Comissão da Mulher. E foi a minha luta, a minha história e a minha garra que me trouxeram até aqui”, escreveu Erika.

A representação afirma que a expressão “imbeCIS” seria uma ofensa direcionada a mulheres cisgênero. A ação também questiona o uso da expressão “podem latir”.

Segundo o documento, a frase configuraria um “flagrante abuso das prerrogativas constitucionais asseguradas aos membros do Congresso Nacional”.

A representação afirma ainda que, no contexto da publicação, a expressão equivaleria a tratar mulheres como “cadelas”, caracterizando uma linguagem animalizadora e associada à misoginia.

Foto: Reprodução/X
Foto: Reprodução/X

Relator defendeu perda do mandato

No parecer aprovado pelo Conselho de Ética, Cabo Gilberto afirmou haver fundamento para o pedido de perda de mandato e argumentou que a imunidade parlamentar não impede a análise de eventuais condutas incompatíveis com o decoro.

A defesa de Erika Hilton, por outro lado, pediu o arquivamento do processo e questionou a permanência de Cabo Gilberto na relatoria por suposta falta de imparcialidade.

O deputado foi um dos signatários de um projeto que buscava impedir pessoas trans de assumirem cargos na Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, segundo o SBT News.

O pedido para afastá-lo da relatoria foi rejeitado pelo presidente do Conselho de Ética, Fabio Schiochet (União-SC).

Erika Hilton terá prazo para apresentar defesa

Com a aprovação do parecer preliminar, Erika Hilton terá 10 dias para apresentar sua defesa antes da análise do mérito pelo Conselho de Ética.

A eventual cassação, no entanto, ainda precisará passar pelo plenário da Câmara dos Deputados. O Conselho de Ética poderá definir uma punição ao final do processo, mas a perda definitiva do mandato dependerá da votação dos deputados.

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