Política
por Amanda Ambrozio
Publicado em 24/05/2026, às 16h00
A proposta que visa extinguir a escala de trabalho 6x1 entra em sua fase decisiva na Câmara dos Deputados.
O relator da comissão especial, Leo Prates (Republicanos-BA), deve apresentar seu parecer oficial na segunda-feira (25). Até lá, Prates terá que destravar três pontos ainda em disputa entre o governo e a oposição.
De acordo com a CNN, a votação em plenário já está marcada para a próxima quinta-feira (28).
O ponto de maior atrito é o cronograma de implementação da nova jornada. Embora o governo inicialmente defendesse o fim imediato do modelo, a gestão Lula já sinaliza aceitar uma transição de dois a três anos para a consolidação das 40 horas semanais.
Em contrapartida, parlamentares da oposição protocolaram emendas sugerindo prazos de até uma década.
A expectativa é que Leo Prates apresente uma proposta razoável para ambas as partes, estabelecendo um período de três a quatro anos, com a redução gradual de uma hora na jornada semanal de trabalho.
Outro pilar da discussão envolve o impacto econômico para o setor produtivo. A Fecomércio estima custos de até R$ 160 bilhões, envolvendo o auxílio fiscal e isenções.
Enquanto o governo se opõe a novos benefícios, amparado por notas técnicas do Ipea que comparam o impacto da medida a reajustes históricos do salário-mínimo, a oposição propõe medidas drásticas.
Entre as sugestões estão a redução de 50% na contribuição do FGTS, imunidade tributária escalonada para novas contratações e deduções no Imposto de Renda e na CSLL.
As negociações coletivas surgem como ferramenta estratégica para ambos os lados, mas com objetivos distintos.
O Executivo busca fortalecer os sindicatos para ampliar direitos, enquanto a oposição vê nas convenções uma brecha para manter a carga de 44 horas em setores específicos.
Leo Prates defende que os acordos setoriais definam a logística do segundo dia de folga, flexibilizando a norma que hoje prioriza o descanso aos domingos.
O desfecho da proposta depende agora do alinhamento político entre o presidente da Câmara, Hugo Motta, e Lula.
Ambos buscam pacificar o texto final, equilibrando a proteção ao trabalhador e a viabilidade econômica das empresas, antes que o tema se torne munição eleitoral para outros pré-candidatos.
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