Política

Fachin cancela sessão que julgaria atuação de Mendonça no caso Master

Victor Piemonte/STF
Sessão para avaliar conduta de André Mendonça em processos no STF ainda não tem data marcada  |   BNews SP - Divulgação Victor Piemonte/STF
Bernardo Rego

por Bernardo Rego

Publicado em 17/09/2026, às 14h56



Em despacho proferido nesta quinta-feira (17) o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, decidiu adiar a análise do processo que investiga a conduta do ministro André Mendonça no caso Banco Master e no INSS em que ele era relator. A sessão estava marcada para a próxima quarta-feira (23), mas ainda não tem data para acontecer. 

A decisão ocorre após uma questão de ordem apresentada pelo decano do STF, Gilmar Mendes, para julgar os casos envolvendo Alexandre de Moraes e André Mendonça juntos, além do pedido de vista formulado por Flávio Dino que tem até 90 dias para devolver o caso. 

"Sobreveio, no julgamento da PET 16.662, realizado em 15 de setembro de 2026, Questão de Ordem, cujo exame foi objeto de pedido de vista, propugnando por (i) reunir em tramitação conjunta a PET 16.662 e a PET 16.704; (ii) redistribuir os feitos na forma regimental; (iii) estipular, após a redistribuição dos processos, a necessidade de certificação de todos os magistrados mencionados no âmbito do processo do Banco Master sobre os quais recaiam indícios de recebimento de valores indevidos; e (iv) determinar, após a certificação referida, a abertura de prazo para a manifestação do Procurador-Geral da República e dos juízes citados. Considerando a direta relação dos pontos contidos na Questão de Ordem referida acima com a apreciação destes autos, abarcando questionamento sobre a regularidade da própria relatoria, a inclusão em pauta será oportunamente redesignada", escreveu Fachin no despacho a que o Bnews SP teve acesso. 

A discussão sobre a unificação dos julgamentos caminhava para um empate quando a sessão foi interrompida pelo pedido de vista de Dino, sem que houvesse uma definição. 

Entenda a crise

Considerada uma da maiores crises do STF, o ponto crucial aconteceu após o ministro André Mendonça levantar o sigilo de um relatório da Polícia Federal que trazia registros de conversas entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro. Mendonça era o relator dos inquéritos sobre o Banco Master que agora estão sendo relados por Fachin. 

As mensagens indicam que o banqueiro pedia a Moraes que atuasse junto ao diretor-geral da PF e ao procurador-geral da República para conter o avanço das investigações sobre o banco.

Como um contra-ataque, dois dias depois, Moraes pediu a Fachin que abrisse uma investigação contra Mendonça por suposto abuso de poder e favorecimento de grupos políticos na condução dos casos envolvendo o Banco Master e as fraudes no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). Ele utilizou como prova relatórios de inteligência da Polícia Federal.

Fachin marcou duas sessões plenárias para a análise dos casos. A situação de Moraes seria avaliada no dia 15 de setembro, enquanto a de Mendonça seria votada no dia 23.

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