Política
por Andrezza Souza
Publicado em 03/11/2026, às 22h00
Uma nova falha de segurança no Smart Sampa expôs imagens de aproximadamente 17 mil câmeras vinculadas ao sistema de vigilância da Prefeitura de São Paulo. Os equipamentos puderam ser acessados sem senha por pelo menos cinco dias, conforme investigação divulgada pelo portal UOL nesta terça-feira (3).
A vulnerabilidade foi identificada em um site associado à Sentinelx, empresa responsável pela tecnologia utilizada no sistema. O acesso irregular atingiu câmeras hospedadas na nuvem da Monuv, outra fornecedora de serviços para a plataforma municipal.
Durante a apuração, o UOL conseguiu visualizar transmissões ao vivo de diferentes locais monitorados. Entre os pontos acessíveis estavam endereços relacionados a autoridades públicas e ex-presidentes, como Michel Temer.
Além das imagens, a falha permitia consultar cadastros completos dos equipamentos e obter links diretos para transmissões privadas. As informações estavam disponíveis por meio do código-fonte aberto do site vinculado à Sentinelx.
O problema só foi interrompido depois que as empresas envolvidas receberam questionamentos sobre a exposição, na sexta-feira (30).
O novo episódio ocorre menos de duas semanas após a divulgação de outra exposição de dados do Smart Sampa. Em 20 de outubro, o UOL revelou que mais de 58 mil câmeras ficaram acessíveis na internet durante aproximadamente 11 meses.
Na ocasião, os equipamentos incluíam dispositivos instalados em escolas, creches, hospitais e vias públicas. Os dois episódios levantam questionamentos sobre a proteção das informações e o controle de acesso às imagens captadas pelo sistema.
Implementado em 2023, o Smart Sampa reúne cerca de 40 mil câmeras e utiliza videomonitoramento e reconhecimento facial. A plataforma também mantém integração com as polícias Militar e Civil e serviços de mobilidade urbana.
A exposição de transmissões ao vivo pode revelar a movimentação de pessoas e veículos em áreas monitoradas. Em locais sensíveis, o acesso indevido às imagens também pode comprometer a privacidade de moradores e a segurança de autoridades.
A vulnerabilidade reacende o debate sobre os mecanismos de proteção adotados pela Prefeitura e pelas empresas responsáveis pela operação tecnológica do Smart Sampa.
Até as informações apresentadas nas reportagens, não há detalhamento sobre eventual uso criminoso das imagens expostas nem sobre a quantidade de pessoas diretamente afetadas.
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