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Falta de vitamina D e gordura abdominal formam combinação de risco; entenda

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Estudo aponta que a associação entre deficiência de vitamina D e obesidade abdominal aumenta em 123% o risco de morte após os 50 anos  |   BNews SP - Divulgação Foto: Pexels/Towfiqu barbhuiya
Andrezza Souza

por Andrezza Souza

Publicado em 02/08/2026, às 13h27



A combinação entre deficiência de vitamina D e obesidade abdominal pode representar um risco maior à saúde do que cada condição isoladamente. É o que aponta um estudo publicado na revista científica Diabetes, Obesity and Metabolism, que acompanhou mais de 5,5 mil pessoas com 50 anos ou mais durante seis anos e concluiu que a presença simultânea dos dois fatores está associada a um aumento de 123% no risco de morte.

A pesquisa foi conduzida por cientistas da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) em parceria com a University College London, no Reino Unido, com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). Os dados analisados fazem parte do English Longitudinal Study of Ageing (ELSA), um dos maiores estudos sobre envelhecimento do mundo.

Estudo aponta efeito combinado sobre o organismo

Segundo o coordenador da pesquisa e professor do Departamento de Gerontologia da UFSCar, Tiago Silva Alexandre, tanto a obesidade abdominal quanto a deficiência de vitamina D já são fatores de risco conhecidos. No entanto, quando aparecem juntas, uma condição potencializa os efeitos da outra.

"A obesidade abdominal é um conhecido fator de risco por estar associada à inflamação e a problemas metabólicos. Já a vitamina D é um hormônio que atua em vários órgãos, e sua deficiência compromete diversas funções do corpo. Quando essas duas condições aparecem juntas, uma potencializa os efeitos da outra, elevando ainda mais o risco de morte", explicou.

O pesquisador afirma que acompanhar os níveis de vitamina D e controlar o excesso de gordura abdominal são medidas importantes para reduzir o risco de mortes prematuras, principalmente após os 50 anos.

Deficiência de vitamina D teve impacto maior que obesidade isolada

Foto: Pexels/Odin Mcraig
Foto: Pexels/Odin Mcraig

Os resultados mostraram que a deficiência de vitamina D, sozinha, esteve relacionada a um aumento de 81% no risco de mortalidade. Já a obesidade abdominal isolada elevou esse risco em 47%.

Na pesquisa, foram considerados deficientes os participantes com níveis inferiores a 30 nanomoles por litro de sangue. Já a obesidade abdominal foi definida por circunferência da cintura superior a 102 centímetros nos homens e 88 centímetros nas mulheres.

Quando as duas condições estavam presentes simultaneamente, o risco de morte foi 123% maior em comparação às pessoas que não apresentavam nenhuma delas.

Gordura abdominal reduz ação da vitamina D

Os pesquisadores explicam que a gordura acumulada na região abdominal interfere diretamente na disponibilidade da vitamina D no organismo.

Segundo Tiago Silva Alexandre, parte da vitamina fica armazenada nas células de gordura, reduzindo sua circulação no sangue e comprometendo sua atuação em diferentes sistemas do corpo.

Além disso, pessoas com obesidade apresentam menor atividade de enzimas responsáveis pelo metabolismo da vitamina D. Esse processo favorece a inflamação crônica e pode acelerar o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, metabólicas e da perda de massa muscular, especialmente durante o envelhecimento.

Pesquisa reforça importância da prevenção

O estudo faz parte de uma série de pesquisas sobre o papel da vitamina D no envelhecimento. Em trabalhos anteriores, a equipe identificou que a deficiência da vitamina também está associada à perda de força muscular, redução da velocidade da caminhada, maior dependência para atividades diárias e aumento do risco de declínio cognitivo.

Segundo os autores, a vitamina D participa da regulação de diversos sistemas do organismo, incluindo o imunológico, cardiovascular, nervoso e endócrino. Por isso, manter níveis adequados da substância e controlar fatores de risco, como a obesidade abdominal, pode contribuir para um envelhecimento mais saudável e reduzir complicações ao longo da vida.

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