Política
por Andrezza Souza
Publicado em 14/06/2026, às 16h51
As baixas temperaturas típicas do inverno podem intensificar os sintomas da fibromialgia e aumentar o desconforto de quem convive com a doença. O frio favorece a contração muscular, reduz a movimentação do corpo e pode potencializar a sensação de dor, tornando essa época do ano mais desafiadora para muitos pacientes.
Em entrevista à Agência SP, a médica fisiatra Lin Tchia Yeng, coordenadora do Curso Interdisciplinar de Dor da Universidade de São Paulo (USP) e responsável pela reabilitação no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, explica que o organismo reage naturalmente ao frio com maior tensão muscular. Para quem tem fibromialgia, condição marcada pela hipersensibilidade do sistema nervoso, essa resposta costuma ser ainda mais intensa.
Segundo a especialista, além das temperaturas mais baixas, fatores como vento frio e mudanças climáticas bruscas também podem funcionar como gatilhos para o aumento das dores. Isso acontece porque pessoas com fibromialgia apresentam uma percepção ampliada de diversos estímulos, fazendo com que desconfortos cotidianos sejam sentidos com maior intensidade.
Outro fator que contribui para o agravamento do quadro durante o inverno é a diminuição da atividade física. Conforme explicou Lin Tchia Yeng à Agência SP, é comum que muitas pessoas reduzam a prática de exercícios, permaneçam mais tempo sentadas e interrompam atividades de reabilitação nos dias frios.
Esse comportamento pode aumentar a rigidez muscular e intensificar a dor, criando um ciclo em que o sedentarismo acaba agravando sintomas que já fazem parte da doença.
Para evitar essa piora, a orientação é manter o corpo em movimento mesmo dentro de casa. Alongamentos, exercícios leves de fortalecimento, caminhadas e atividades de mobilidade ajudam a preservar a musculatura ativa e podem reduzir o desconforto.
A especialista também recomenda interromper longos períodos sentado, levantando-se a cada 50 ou 60 minutos para caminhar ou realizar pequenos movimentos, principalmente durante o trabalho ou os estudos.
Além da prática regular de exercícios, manter o corpo aquecido pode contribuir para aliviar as dores musculares. O uso de roupas apropriadas para o frio, bolsas térmicas, compressas quentes e recursos como o escalda-pés podem proporcionar relaxamento muscular e maior sensação de conforto.
A alimentação também desempenha papel importante no controle da fibromialgia. Segundo a especialista, sopas e caldos consumidos durante o inverno devem conter proteínas, além de legumes e verduras, para garantir os nutrientes necessários à manutenção da massa muscular.
Ela ressalta que proteínas participam da produção de hormônios, enzimas e neurotransmissores e ajudam a preservar o funcionamento adequado do organismo. Uma alimentação equilibrada, rica em proteínas, fibras e carboidratos complexos, pode contribuir para reduzir a sensação de fraqueza e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.
De acordo com Lin Tchia Yeng, ouvida pela Agência SP, o tratamento da fibromialgia não deve se limitar ao uso de medicamentos. A combinação entre atividade física regular, aquecimento corporal, alimentação saudável e continuidade do acompanhamento médico é fundamental para controlar os sintomas e reduzir o impacto da doença no dia a dia.
Para a especialista, manter esses hábitos durante os meses mais frios é uma das principais estratégias para minimizar o aumento das dores e preservar o bem-estar ao longo do inverno.
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