Política

Flávio Bolsonaro pagou R$ 600 mil a empresa ligada a sistema de IA para manipular eleições, diz Intercept

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Reportagem aponta que a Elytron apresentou uma ferramenta para manipulação política clandestina; campanha de Flávio nega contratação  |   BNews SP - Divulgação Foto: Divulgação/Vittor Sales
Andrezza Souza

por Andrezza Souza

Publicado em 16/10/2026, às 18h20



O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, pagou R$ 600 mil à empresa de cibersegurança Elytron, que teria apresentado nos Estados Unidos um sistema de inteligência artificial (IA) voltado à manipulação política clandestina. A informação foi publicada pelo Intercept Brasil nesta sexta-feira (16).

Segundo a reportagem, documentos obtidos pelo veículo descrevem uma operação que previa coleta e cruzamento de dados para identificar grupos de eleitores e direcionar ações de influência. Entre as práticas mencionadas estão a criação de contas falsas nas redes sociais, a disseminação de boatos e o uso de técnicas de guerra psicológica para desacreditar adversários.

O material foi entregue ao Intercept por Vincent Edward Reed, empreendedor e tecnologista norte-americano que atuou como consultor da Elytron entre 2024 e 2025. Ele afirmou ter rompido com a empresa por considerar que a tecnologia poderia violar princípios éticos e legais.

Reed também relatou ter denunciado a operação ao Federal Bureau of Investigation (FBI) e ao Comitê de Supervisão da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos. De acordo com a reportagem, não há evidências de que o sistema descrito tenha sido utilizado por Flávio Bolsonaro ou pelo Partido Liberal (PL) nas eleições de 2026.

Pagamentos e versões apresentadas

Conforme os registros citados pelo Intercept, a campanha de Flávio declarou pagamentos à Elytron relacionados a serviços de consultoria em tecnologia da informação. As notas fiscais mencionam atividades como apoio forense, investigação de phishing, testes de segurança e monitoramento de infraestrutura.

A prestação de contas parcial apresentada à Justiça Eleitoral registrou R$ 1 milhão em despesas com a empresa. Já os lançamentos detalhados no sistema DivulgaCand somam R$ 600 mil, de acordo com a reportagem. O PL também declarou um pagamento de R$ 131,9 mil à companhia.

Procurada pelo Intercept, a campanha de Flávio negou contratar serviços que violem a legislação eleitoral. A assessoria classificou como grave a tentativa de associar a contratação de serviços de segurança da informação a práticas de manipulação política e afirmou que o procedimento seguiu as regras regulares.

Após a publicação da reportagem, a Elytron também negou envolvimento em operações clandestinas de influência. A empresa afirmou que atua exclusivamente na área defensiva de segurança cibernética e da informação e que não oferece nem executa serviços de manipulação política ou uso de deepfakes para clientes.

A companhia declarou ainda que os serviços prestados à campanha e ao partido tinham finalidade técnica e preventiva, voltada à proteção de comunicações e sistemas. Também informou que investigará eventuais responsabilidades relacionadas ao uso de seu nome em apresentações comerciais.

Documentos descrevem ações nas redes sociais

Segundo o Intercept, a apresentação comercial analisada descrevia o uso de dados sociais, políticos e econômicos para segmentar públicos e direcionar mensagens. O documento também mencionava a criação de imagens, vídeos, memes e deepfakes, além da distribuição coordenada de conteúdo em redes sociais, blogs e veículos de imprensa.

A pesquisadora Beatriz Farrugia, especialista em desinformação ouvida pelo veículo, avaliou que o material descreve uma operação de influência, que vai além do monitoramento de redes sociais ou da análise de dados.

A reportagem também aponta conexões internacionais envolvendo executivos da Elytron e a empresa Aleria, dos Emirados Árabes Unidos. Representantes citados pelo Intercept negaram reuniões com integrantes da campanha de Donald Trump e afirmaram que não oferecem serviços de manipulação política.

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