Política
Publicado em 13/03/2026, às 06h30 Érica Sena e Marcela Guimarães
O Sistema Único de Saúde (SUS) vem passando por atualizações importantes em seu programa de vacinação nos últimos anos. A incorporação de novos imunizantes e mudanças nas estratégias de aplicação têm ampliado a cobertura contra doenças infecciosas e reforçado a prevenção em diferentes faixas etárias da população.
Entre as principais novidades estão a inclusão da vacina contra a dengue, a ampliação do uso da vacina meningocócica ACWY para crianças e alterações no esquema de vacinação contra o HPV.
Essas mudanças fazem parte de uma estratégia nacional para ampliar a proteção coletiva e reduzir internações e mortes por doenças preveníveis. O Programa Nacional de Imunizações (PNI), coordenado pelo Ministério da Saúde, é considerado um dos maiores do mundo e atualmente oferece dezenas de vacinas gratuitas em postos de saúde em todo o país.
Segundo o Ministério da Saúde, o calendário vacinal brasileiro contempla imunizações desde o nascimento até a terceira idade, com aplicação em unidades básicas de saúde e campanhas periódicas de vacinação. O objetivo é garantir proteção contra doenças como sarampo, poliomielite, meningite, hepatite e influenza, entre outras.
Uma das mudanças mais relevantes é a introdução da vacina contra a dengue no sistema público. O imunizante passou a integrar o Programa Nacional de Imunizações inicialmente para públicos prioritários, especialmente crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, faixa etária que apresenta alto número de hospitalizações pela doença.
A vacina utilizada é a Qdenga, que protege contra os quatro sorotipos do vírus da dengue. O esquema vacinal é composto por duas doses, com intervalo de três meses entre as aplicações. Estudos indicam que a imunização reduz significativamente o risco de formas graves da doença e de hospitalizações.
Além disso, o governo federal também firmou parceria com o Instituto Butantan para produzir uma vacina nacional contra a dengue. O primeiro lote adquirido prevê cerca de 3,9 milhões de doses, com investimento inicial de aproximadamente R$ 368 milhões, e a expectativa é ampliar o acesso da população a partir de 2026.
Para epidemiologistas, a inclusão do imunizante representa um avanço importante no enfrentamento da doença, que tem registrado ciclos de epidemia no Brasil. A dengue é considerada uma das principais arboviroses do mundo e pode causar complicações graves, incluindo hemorragias e choque.
Outra atualização recente envolve a vacina meningocócica ACWY. Antes aplicada apenas em adolescentes, ela passou a ser utilizada também como dose de reforço para crianças de 12 meses.
A mudança amplia a proteção contra quatro sorogrupos da bactéria responsável por meningites bacterianas graves: A, C, W e Y. Até então, o calendário incluía duas doses da vacina meningocócica C na infância e um reforço no primeiro ano de vida. Com a atualização, o reforço passa a ser feito com o imunizante ACWY.
De acordo com o Ministério da Saúde, a alteração tem como objetivo ampliar a cobertura contra formas mais graves da doença, que podem evoluir rapidamente e levar a complicações neurológicas ou à morte.
A meningite bacteriana é considerada uma emergência médica e pode ser transmitida por gotículas respiratórias. Crianças pequenas estão entre os grupos mais vulneráveis, o que reforça a importância da imunização precoce.
Outra atualização importante no calendário vacinal envolve a vacina contra o HPV, vírus associado a diferentes tipos de câncer, especialmente o câncer de colo do útero.
Em 2024, o Ministério da Saúde alterou o esquema de vacinação no SUS para dose única, substituindo o modelo anterior que previa duas aplicações. A medida foi adotada com base em evidências científicas que indicam eficácia semelhante na proteção contra o vírus.
A vacina é indicada para adolescentes entre 9 e 14 anos, tanto meninas quanto meninos. O HPV está relacionado não apenas ao câncer cervical, mas também a tumores de garganta, pênis, ânus e outras regiões do corpo.
Especialistas afirmam que a simplificação do esquema vacinal pode aumentar a cobertura, já que reduz o risco de abandono do calendário de vacinação.
A ampliação das vacinas disponíveis no SUS tem impacto direto na prevenção de doenças e na redução da pressão sobre o sistema de saúde. Estudos epidemiológicos mostram que programas de vacinação em larga escala são responsáveis pela queda significativa de casos de doenças infecciosas nas últimas décadas.
O Brasil mantém um dos programas públicos de imunização mais abrangentes do mundo, oferecendo vacinas gratuitamente em milhares de postos de saúde. Atualmente, o calendário inclui imunizantes contra mais de 20 doenças, como tuberculose, hepatite B, poliomielite, sarampo e influenza.
Especialistas alertam, no entanto, que a efetividade dessas políticas depende da adesão da população. Nos últimos anos, o país registrou queda nas taxas de cobertura vacinal, fenômeno associado à desinformação e ao impacto da pandemia de Covid-19.
Para infectologistas e profissionais da rede pública, ampliar o acesso às vacinas e fortalecer campanhas de conscientização são estratégias essenciais para evitar o retorno de doenças já controladas no país.
Apesar dos avanços, especialistas ressaltam que a incorporação de novas vacinas exige planejamento logístico, financiamento e campanhas de informação para a população.
A distribuição das doses, a capacitação de profissionais de saúde e a ampliação da cobertura vacinal são desafios constantes para o sistema público.
Mesmo assim, a ampliação do calendário vacinal demonstra a capacidade do SUS de atualizar suas estratégias de prevenção diante de novos desafios epidemiológicos.
A incorporação de imunizantes contra doenças emergentes, como a dengue, e a ampliação da proteção contra meningite e HPV reforçam o papel da vacinação como uma das principais ferramentas de saúde pública no Brasil.
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