Política

Instalação de restaurantes em parques divide opiniões em São Paulo; entenda

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Frequentadores e comerciantes opinam sobre impacto da iniciativa de concessão para restaurantes na preservação e acesso aos parques públicos  |   BNews SP - Divulgação Foto: Reprodução/Gabriela Pessanha/BNews São Paulo
Gabriela Pessanha

por Gabriela Pessanha

Publicado em 08/05/2026, às 14h56



Uma iniciativa da Prefeitura de São Paulo prevê a instalação de polos gastronômicos em 31 parques da capital. No entanto, a proposta divide opiniões de comerciantes e frequentadores dos parques. 

Entre as principais preocupações do público estão a preservação dos espaços, como redução de áreas verdes e má conservação de banheiros públicos, e a elitização dos parques. 

Em entrevista ao BNews São Paulo, os frequentadores dos parques e trabalhadores de quiosques instalados previamente comentam a possível mudança. 

Comerciantes acreditam que iniciativa pode ampliar circulação

A atendente Mariane, que trabalha há 15 anos com serviços voltados para o público, afirma que a instalação dos restaurantes não vai afetar os quiosques que já estão em funcionamento nos parques. 

Para ela, os restaurantes diversificam as opções oferecidas aos frequentadores. No entanto, ela também sinaliza que acredita que as concessões podem elitizar os ambientes. 

"Hoje o pessoal já reclama dos valores dos restaurantes que temos no parque serem um pouco caros", explica ao falar sobre a possibilidade de perda do caráter público desses ambientes. 

Próximo a ela, trabalha Yasmin Batista, em outro quiosque que oferece sucos e açaís. 

Yasmin também acredita que a variedade de experiências no parque vai ampliar o interesse do público. 

"Com as regras certas, acredito que é possível manter esses restaurantes dentro do parque sem prejudicar o meio ambiente e proporcionar uma experiência legal para quem vem aqui", comenta. 

Foto: Gabriela Pessanha/BNews
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Público teme elitização dos parques

Professor de skate e frequentador do Parque Ibirapuera há 30 anos, Fabrício Freitas reforça que é a favor da instalação dos restaurantes nos parques, desde que seja acessível para todos. 

"O que vemos hoje é a instalação de restaurantes com intuito apenas de arrecadar dinheiro, com comidas e bebidas muito caras e sem opções para pessoas de baixa renda", detalha.

Para ele, a iniciativa é válida desde que haja variedade nos preços para atender a todos os públicos que frequentam os parques. 

Ele reforça que o objetivo final das visitas não é o consumo, e sim o uso do espaço aberto oferecido. 

"A pessoa que vem no parque quer praticar um esporte, não consumir. Ela não vem ao parque para ir a um restaurante", comenta. 

Renata Celanti, professora e frequentadora do parque, tem um posicionamento mais negativo acerca da instalação dos restaurantes. 

Ela comenta que é totalmente contra a iniciativa porque "desvirtua a noção de lazer das áreas públicas"

Para Renata, além de congestionamentos no acesso aos parques, os restaurantes segregam o público por serem inacessíveis para a população mais pobre. 

As áreas públicas precisam ser poupadas de qualquer tipo de exploração financeira e preservadas para o lazer, principalmente, da população mais pobre. 

Ela também comenta que os restaurantes podem piorar a preservação das áreas verdes dos parques. 

"Eles não estão aqui para aproveitar a área verde, e sim explorar esses espaços", diz. 

Renata reforça que as últimas alterações nos parques elevaram o valor da alimentação nos parques, bem como a locação de bicicletas, que funciona "em prol de quem pode pagar". 

"De maneira geral, não houve nenhum benefício em relação a esse tipo de comércio em uma área que é pública e é verde. Não combina", finaliza. 

Caso avance, a liberação dos editais para instalação nos parques deve começar a partir de 2027.

Classificação Indicativa: Livre

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