Política
por Andrezza Souza
Publicado em 24/07/2026, às 22h10
O serviço de transporte de passageiros por motocicleta via aplicativo voltou a ser proibido na cidade de São Paulo. Nesta sexta-feira (24), o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) suspendeu os efeitos da decisão que obrigava a Prefeitura a credenciar a Uber para operar a modalidade, mantendo a restrição até o julgamento definitivo do recurso.
Na decisão, o desembargador Borelli Thomaz entendeu que o interesse econômico das empresas não pode prevalecer sobre a segurança da população.
"O suposto prejuízo financeiro decorrente do atraso no início de um novo modal de transporte não possui densidade jurídica suficiente para se sobrepor ao direito fundamental à vida e à segurança pública viária", afirmou o magistrado.
Com isso, o serviço segue proibido na capital paulista e permanece sujeito à fiscalização e à aplicação de sanções previstas pela administração municipal.
Em nota, a Procuradoria Geral do Município (PGM-SP) informou que a decisão suspende tanto o credenciamento quanto a multa fixada em primeira instância e reiterou que a gestão municipal continuará defendendo a manutenção da proibição da modalidade.
Horas antes da nova decisão do Tribunal de Justiça, a Prefeitura de São Paulo havia informado que cumpriria a determinação judicial que obrigava o credenciamento da Uber em até 48 horas.
Na ocasião, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) ressaltou que o credenciamento não significava autorização para o início das corridas.
"O que houve foi um credenciamento, por força judicial, o que não significa autorizar a operação, que só será liberada se cumprir toda a regulamentação da lei e do decreto", afirmou o prefeito ao Metrópoles.
Nunes também confirmou que o município recorreria da decisão judicial.
Segundo a administração municipal, mesmo com o credenciamento, a empresa ainda precisaria comprovar o cumprimento das exigências previstas na legislação, como requisitos de segurança, documentação, cadastramento de motociclistas e veículos, antes de iniciar qualquer operação.
A discussão sobre o funcionamento do Uber Moto em São Paulo se estende desde a publicação de normas municipais que restringiram o transporte remunerado de passageiros por motocicletas.
As plataformas alegam que as exigências impostas pela Prefeitura inviabilizam a atividade e representam uma "proibição disfarçada de regulamentação". O tema chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF) por meio de uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF).
Ao longo deste ano, o ministro Alexandre de Moraes suspendeu parte das regras municipais, como a exigência de placa vermelha e de seguros com coberturas superiores às previstas na legislação federal, por entender que o município extrapolou sua competência para legislar sobre o tema.
Apesar dessas decisões, a Prefeitura manteve o entendimento de que o serviço apresenta riscos à segurança viária e negou, por duas vezes, o pedido de credenciamento da Uber em 2026.
A disputa também envolve outras plataformas. A 99, que chegou a oferecer o serviço na capital durante parte da batalha judicial, informou anteriormente que realizou mais de 500 mil viagens em duas semanas de operação sem registrar mortes ou acidentes graves. Posteriormente, a empresa anunciou que desistiria de expandir o serviço de transporte por motocicleta em São Paulo e concentraria investimentos nas entregas.
Com a nova decisão do Tribunal de Justiça, o impasse entre a Prefeitura e as empresas de aplicativo permanece sem definição, enquanto o mérito do recurso ainda será analisado.
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