Política

Loja de vestidos coloca manequins negros servindo brancos em vitrine em SP e causa polêmica

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Ministério Público de São Paulo analisa denúncia sobre vitrine que expõe manequins negros em posições de serviçais para brancos  |   BNews SP - Divulgação Foto: Reprodução/Redes Sociais
Tatiana Ribeiro

por Tatiana Ribeiro

Publicado em 05/11/2026, às 09h36



O Ministério Público de São Paulo (MPSP) recebeu uma representação para investigar a composição de uma vitrine da loja de vestidos de festa Arthur Caliman, localizada na Avenida Santo Amaro, na Zona Sul da capital. A denúncia aponta que a montagem exibia manequins negros vestidos com aventais em posições de serviçais para manequins brancos que vestiam trajes de gala.


Na cena exposta, não havia manequins negros usando vestidos de festa, tampouco manequins brancos retratados na função de servir. O caso foi encaminhado para análise da Promotoria de Justiça dos Direitos Humanos – Inclusão Social.


Análise jurídica


O advogado Hédio Silva Jr., fundador do Jusracial e especialista em igualdade racial, disse em entrevista ao G1, que a disposição dos bonecos reforça estigmas históricos.


"Ela reproduz um núcleo essencial do racismo, que é a inferioridade, a condição sub-humana que é atribuída à população negra", destacou, classificando a cena como a projeção de um papel de subalternidade e subserviência.

Hierarquia social

Em entrevista ao G1,  Manuela Thamani, diretora executiva do Observatório da Branquitude, a disposição dos manequins não se trata de um mero erro de composição, mas sim da representação explícita de uma hierarquia racial enraizada na sociedade desde o período escravagista. Ela destaca que a cena coloca corpos brancos em papéis de prestígio, consumo e celebração, enquanto atribui aos corpos negros o papel de servidão. "É a cena colonial reencenada em pleno centro comercial, como se fosse natural", resume.


Thamani enfatiza que vitrines nunca são neutras e servem para definir quem é o público-alvo e o verdadeiro sujeito do luxo. Segundo a especialista, ao fazer essa escolha, a marca exerce um forte poder simbólico ao ditar os lugares sociais de cada grupo, reforçando o privilégio da brancura como norma e padrão de humanidade.


Posicionamento da marca


Em nota oficial, a Arthur Caliman negou qualquer intenção de cunho racial e argumentou que a escolha dos manequins teve como único propósito criar um contraste visual com as cores das roupas.


A empresa lamentou o desconforto gerado pela repercussão do caso e informou que o manequim contestado foi substituído.

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