Política
por Bernardo Rego
Publicado em 03/11/2026, às 17h49
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, defendeu nesta terça-feira (3) a manutenção da proibição das empresas de apostas online, conhecidas como bets, durante audiência pública no Supremo Tribunal Federal (STF).
Em sua fala, o ministro alertou para os impactos da atividade na saúde pública e ressaltou que a medida é a principal alternativa para conter o avanço do vício em jogos (ludopatia), a violência familiar e o endividamento que pode levar ao suicídio. Segundo Padilha, o Brasil foi pioneiro na iniciativa e nenhum país que legalizou as apostas conseguiu reduzir os danos associados à prática.
Durante o debate, o ministro apresentou dados que apontam um crescimento de 200% na busca por atendimentos no Sistema Único de Saúde (SUS) devido a problemas causados pelas apostas. Levantamentos indicam que 28 milhões de pessoas apostaram nos 12 meses anteriores à restrição, das quais cerca de 11 milhões apresentaram comportamento de risco ou problemático. Padilha informou ainda que o governo federal contabilizou 1,2 milhão de solicitações de autoexclusão de CPFs para bloqueio dos jogos, sendo que 40% dos usuários justificaram o pedido por perda de controle da própria vida.
A audiência pública foi convocada pelo ministro Luiz Fux, relator dos recursos movidos pela Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e pelo Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR). As entidades solicitam a derrubada da Medida Provisória editada pelo governo federal em setembro deste ano, que proibiu a exploração e a publicidade dos jogos de apostas online no país.
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