Política
Autoridades de saúde da Índia confirmaram dois casos graves de infecção pelo vírus Nipah entre profissionais de saúde em Calcutá, capital de Bengala Ocidental. Os pacientes apresentam encefalopatia severa e estão em ventilação mecânica, segundo diagnósticos confirmados por um instituto médico estadual. A informação foi divulgada pela revista Veja.
O registro marca o retorno da doença à região após 19 anos sem notificações. Até então, os episódios recentes no país vinham se concentrando principalmente no estado de Kerala, no sul, onde surtos praticamente anuais foram registrados entre 2018 e 2025.
O Nipah integra a lista de doenças prioritárias da Organização Mundial da Saúde (OMS), por reunir três fatores críticos: alto potencial epidêmico, ausência de vacina ou tratamento específico e taxa de letalidade que pode chegar a 75%. A confirmação de casos em uma nova área reacendeu o alerta das autoridades sanitárias internacionais.
Na Índia, investigações epidemiológicas buscam identificar a origem da infecção e avaliar se houve transmissão dentro do ambiente hospitalar. Cerca de 190 pessoas que tiveram contato com os infectados testaram negativo até o momento. As autoridades reforçam que não há motivo para pânico, mas sim para vigilância reforçada.
O vírus Nipah é um patógeno zoonótico emergente do gênero Henipavirus, transmitido de animais para humanos. Seu principal reservatório natural são morcegos-das-frutas do gênero Pteropus, mas o vírus também pode infectar porcos.
A transmissão ocorre pelo contato direto com animais infectados, pelo consumo de alimentos contaminados, como frutas mordiscadas por morcegos ou seiva de tamareira coletada artesanalmente, e entre pessoas.
Essa transmissão humana acontece sobretudo por contato próximo com secreções respiratórias e fluidos corporais, especialmente em ambientes hospitalares.
Os sintomas iniciais incluem febre, dor de cabeça, dores musculares, vômitos e dor de garganta. Com a progressão, podem surgir sonolência, confusão mental e sinais neurológicos de encefalite aguda. Em casos graves, a doença pode evoluir rapidamente para convulsões, coma e insuficiência respiratória em até 48 horas.
Entre os sobreviventes, a maioria se recupera, mas cerca de 20% pode apresentar sequelas neurológicas permanentes, como epilepsia e alterações de personalidade.
Atualmente, não há vacina nem antiviral aprovado contra o Nipah. O tratamento se baseia em suporte clínico intensivo, com foco no controle de complicações respiratórias e neurológicas. Esse cenário torna a detecção precoce, o isolamento rápido e a vigilância epidemiológica as principais armas para conter a disseminação do vírus.
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