Política
por Amanda Ambrozio
Publicado em 12/08/2026, às 10h30
Mesmo após o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) manter a autorização para a realização de megashows na Avenida Paulista, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) afirmou na terça-feira (11) que não há mais tempo para organizar uma apresentação ainda neste ano.
Segundo o prefeito, os artistas cotados para o evento já não teriam disponibilidade em suas agendas.
A declaração ocorreu depois de o Conselho Superior do MP-SP rejeitar, por unanimidade, os embargos de declaração apresentados pela Prefeitura de São Paulo e por associações de moradores contra a homologação do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) que permite a realização dos grandes eventos na avenida.
Mais cedo, a administração municipal havia informado que retomaria as negociações com empresas responsáveis por grandes shows internacionais.
Na ocasião, a Prefeitura afirmou que a decisão do Ministério Público não impediria a realização de um megashow no segundo semestre de 2026.
O acordo prevê a realização de um show ainda neste ano e outros dois ao longo de 2027, desde que sejam cumpridas exigências relacionadas à segurança, saúde, acessibilidade, garantias financeiras e organização dos eventos.
Entre as regras está a chamada cláusula de “Custo Zero ao Erário”, que determina que despesas como montagem, cachês artísticos, limpeza e segurança privada não sejam bancadas com dinheiro público.
A Prefeitura havia questionado a exigência, mas o MP esclareceu que não ficou determinado que todo e qualquer evento deverá obrigatoriamente seguir esse modelo.
A aplicação da regra será acompanhada pelo Ministério Público por meio de um Procedimento Administrativo de Acompanhamento (PAA).
A expectativa inicial da Prefeitura era realizar o primeiro megashow em 5 de setembro, próximo ao feriado da Independência. O evento, porém, já havia sido adiado em julho.
Na ocasião, Nunes afirmou que a demora na análise do MP poderia dificultar a contratação dos artistas, principalmente pela disponibilidade de datas.
“Se ficarem postergando, não conseguiremos data com os artistas. O quanto antes tiverem a possibilidade de trabalhar é melhor para se obter as datas nas agendas dos artistas. Já não sabemos mais, tínhamos essas opções [Bruno Mars, U2 e Coldplay] meses atrás, hoje nem deve ter mais essas opções”, disse Nunes.
Agora, o prefeito afirmou que o município não teria mais tempo para organizar uma apresentação neste ano e que os artistas não teriam mais agenda disponível.
Segundo o Metrópoles, a Prefeitura ainda deve analisar alternativas para tentar viabilizar o evento. O TAC foi assinado em fevereiro deste ano e prevê que o limite de grandes eventos na Avenida Paulista passe de três para seis por ano.
A homologação do TAC ocorreu em maio, após duas reuniões do Conselho Superior do MP-SP.
No primeiro encontro, realizado em abril, os conselheiros pediram vista conjunta para analisar o acordo.
Na segunda reunião, parte dos integrantes apresentou um voto conjunto questionando a falta de estudos detalhados sobre segurança, mobilidade, poluição sonora e acesso aos hospitais, além da ausência de audiências públicas para ouvir moradores e demais setores interessados.
Os promotores que defenderam a transformação do TAC em um inquérito civil afirmaram que a medida permitiria ouvir todas as partes interessadas durante o processo.
A recomendação também recebeu apoio da Corregedoria do Ministério Público e de integrantes da Promotoria do Meio Ambiente.
Apesar das críticas, os demais conselheiros votaram pela homologação do acordo.
A versão aprovada pelo Conselho Superior do MP foi proposta pelo procurador-geral de Justiça, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, e incluiu alterações em relação ao texto inicialmente negociado com a Prefeitura.
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