Política
por Amanda Ambrozio
Publicado em 22/10/2026, às 11h40
A expansão da Linha 15-Prata do Metrô de São Paulo deve provocar a remoção de famílias da favela da Vila Prudente, considerada a mais antiga da capital paulista. A comunidade, localizada na Zona Leste, será parcialmente afetada pela construção do trecho elevado do monotrilho até a futura estação Ipiranga.
Ao UOL, o Metrô confirmou que parte dos moradores precisará deixar o local para a conclusão das obras, mas não informou quantas famílias serão atingidas.
A ampliação prevê cerca de 1,7 quilômetro de via elevada e uma estação integrada à Linha 10-Turquesa da CPTM. O contrato, de R$ 445 milhões, foi assinado em 2023, e a entrega está prevista para 2027.
O projeto de expansão já passou por alterações para diminuir o impacto sobre a comunidade. Um parecer técnico da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), de agosto de 2023, aponta que o traçado original ocuparia 4.337 metros quadrados da favela.
Após uma mudança, a área necessária para a obra caiu para aproximadamente 735 metros quadrados, uma redução de 83%. Segundo o documento, a alteração considerou o impacto social da intervenção sobre as famílias e também permitiria reduzir os custos da construção.
No entanto, o número de moradores afetados variou ao longo do planejamento. O parecer da Cetesb mencionava 124 famílias em situação de vulnerabilidade na área prevista inicialmente, com base em um levantamento realizado em março de 2022. Em 2024, o Metrô informou que 25 famílias seriam atingidas pelo traçado revisado.
De acordo com as condições previstas para o reassentamento, famílias em situação de vulnerabilidade poderão receber uma nova moradia ou indenização, calculada com base no tempo de permanência no local e nas construções realizadas. Caso as casas não fiquem prontas a tempo, está previsto o pagamento de auxílio-moradia.
Moradores e associações que representam a comunidade, no entanto, relatam falta de informações claras sobre o processo. Segundo relatos, há queixas de dados escassos ou contraditórios sobre as remoções. Parte dos moradores resiste a deixar as casas, enquanto outros afirmam ter tomado conhecimento da possibilidade de saída por meio de reportagens.
A expectativa é que uma nova etapa do reassentamento comece na próxima semana, com mais informações sobre as famílias atingidas.
O Metrô afirmou que não houve alteração no traçado de expansão da Linha 15-Prata até a estação Ipiranga. A empresa também declarou que continua trabalhando para realizar o reassentamento das famílias impactadas pelo projeto.
A favela da Vila Prudente é apontada como a primeira ocupação urbana desse tipo em São Paulo, com origem na década de 1940. Atualmente, estima-se que o local tenha cerca de 1.960 domicílios distribuídos em uma área de 141,5 mil metros quadrados.
A comunidade já enfrentou remoções em décadas anteriores. Entre 1971 e 1972, a Prefeitura retirou 153 famílias das favelas de Vila Prudente e Vergueiro para viabilizar a abertura de vias, incluindo estruturas ligadas ao viaduto Grande São Paulo, na Avenida Professor Luiz Ignácio Anhaia Mello.
Na época, as famílias foram transferidas para alojamentos provisórios em um terreno do antigo Instituto de Administração Financeira da Previdência e Assistência Social (IAPAS), no Ipiranga.
As moradias temporárias acabaram se tornando permanentes e deram origem à comunidade de Heliópolis, hoje uma das maiores favelas da capital paulista.
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