Política
por Amanda Ambrozio
Publicado em 25/10/2026, às 18h30
A decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), de prorrogar a votação do segundo turno das eleições até as 19h neste domingo (25) provocou confusão em seções eleitorais de diferentes regiões do país.
Quando a determinação foi divulgada, por volta das 17h, parte das urnas já havia sido fechada, com boletins de urna impressos e votos contabilizados.
O cenário gerou dúvidas entre mesários e presidentes de seção, que aguardavam orientações da Justiça Eleitoral sobre como proceder diante da extensão do horário, de acordo com a Folha de S. Paulo.
A medida, considerada inédita no país, foi anunciada após problemas na circulação do transporte público em cidades como São Paulo e Salvador.
Na zona norte de São Paulo, um mesário que trabalhava em Santana afirmou que algumas urnas da região já haviam sido encerradas, com a impressão dos boletins que registram a quantidade de votos recebidos por cada candidato.
Segundo ele, os mesários foram orientados a permanecer nos locais até que houvesse esclarecimentos sobre a decisão.
No Jabaquara, zona sul da capital, uma mesária relatou que algumas urnas já tinham sido enviadas ao Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), após o encerramento da votação e a impressão dos boletins.
Mesmo com a notícia da prorrogação, a orientação recebida, segundo ela, era continuar a entrega dos equipamentos.
Em Pinheiros, na zona oeste, uma mesária contou que ela e os colegas ainda não sabiam como agir por volta das 17h40. As urnas já haviam sido fechadas, e os mesários aguardavam instruções para deixar o local.
“Quando todo mundo encerrou, alguém gritou, ‘ei, estenderam’. A galera tá aqui sem saber o que fazer”, relatou.
De acordo com a mesária, a equipe foi orientada a não ir embora até receber novas instruções. Por volta das 17h40, os profissionais foram liberados para voltar para casa.
No Rio de Janeiro, a Escola Municipal Albert Schweitzer, em Laranjeiras, permanecia com as portas abertas, mas as seções já haviam encerrado a votação antes da divulgação da decisão. Mesários afirmaram que não havia como os eleitores votarem após o fechamento das urnas.
Em uma escola da Asa Norte, em Brasília, as seções foram parcialmente reabertas. No entanto, segundo os relatos, o sistema das urnas eletrônicas não permite que os equipamentos voltem a receber votos depois de encerrados. Parte dos presidentes de seção e mesários já havia deixado o local antes do anúncio da prorrogação.
Mensagens compartilhadas em um grupo de uma zona eleitoral também indicavam que a presidência do TRE do Distrito Federal havia reforçado anteriormente o encerramento da votação.
A página de resultados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já apresentava urnas apuradas e votos totalizados em diferentes estados quando a prorrogação foi anunciada. Naquele momento, o sistema registrava 0,25% dos votos contabilizados em âmbito nacional.
Entre os estados, o Amazonas tinha 1% das urnas apuradas, Rondônia registrava 0,53% e o Rio Grande do Sul, 0,01%.
Procurado para esclarecer como seria o procedimento para eleitores que não haviam votado até as 17h, o TSE informou que ainda aguardava a íntegra da decisão para se posicionar.
A Corte não havia detalhado como a prorrogação seria aplicada às seções em que as urnas já tinham sido encerradas.
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