Política
Quase metade das pessoas presas por meio do Smart Sampa, sistema de monitoramento da Prefeitura de São Paulo, tinha mandados relacionados a pensão alimentícia.
A conclusão faz parte de um estudo que analisou 1.153 detenções realizadas pelo programa e reacende o debate sobre a real contribuição da tecnologia para a segurança pública. As informações foram divulgadas pela CNN Brasil.
O relatório foi elaborado pelo Laboratório de Políticas Públicas e Internet (Lapin) a partir do Relatório de Transparência publicado pela Prefeitura em junho de 2025.
Segundo os dados, 540 prisões foram classificadas como “outros”, sem detalhamento, e mais de 90% desse grupo (512 casos) referem-se a devedores de pensão alimentícia.
Entre os tipos penais explicitados, os números são bem menores. Foram registrados 153 casos de roubo, 137 de tráfico de drogas e apenas 17 de furto. Para os pesquisadores, o recorte evidencia que parte significativa das prisões não tem relação direta com o enfrentamento da violência urbana.
O estudo também questiona a efetividade do programa diante do cenário da cidade. Em 2025, São Paulo registrou 60 feminicídios, número recorde que representa aumento de quase 18% em relação ao ano anterior, além de altas em homicídios e furtos.
Outro ponto crítico apontado pelo levantamento é a falta de transparência. O custo mensal estimado do Smart Sampa é de R$ 9,8 milhões, enquanto dados essenciais, como raça das pessoas presas, aparecem incompletos em 58,9% dos registros. Ainda assim, entre os casos identificados, 93,5% são homens e 25% pessoas negras.
O relatório também aponta falhas técnicas. Pelo menos 23 pessoas teriam sido conduzidas indevidamente por erros no reconhecimento facial. Outras 82 foram presas e depois liberadas, a maioria por inconsistências no sistema de mandados. Casos emblemáticos incluem a prisão equivocada de um idoso de 80 anos e de uma mulher grávida, que teve parto prematuro após abordagem policial.
Em resposta, a Prefeitura de São Paulo afirma que os resultados do Smart Sampa são comprovados por indicadores oficiais. Segundo a gestão municipal, a cidade registrou queda nos roubos, nos roubos de veículos e nos latrocínios em 2025, além da prisão de 2.709 foragidos desde o início do programa.
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