Polícia
por Marcela Guimarães
Publicado em 04/02/2026, às 20h00
O número histórico de feminicídios registrados no Brasil em 2025 destaca uma grave “omissão do Estado”, já que se trata de um tipo de violência que poderia ser evitada, segundo Samira Bueno, diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).
A declaração foi feita nesta quarta-feira (4), durante a apresentação do relatório da ONG internacional Human Rights Watch (HRW), em São Paulo.
O documento divulgado pela HRW analisa a situação dos direitos humanos em mais de 100 países, estando o Brasil entre eles.
A edição deste ano aborda temas como liberdade de expressão, aborto, direitos das crianças e violência de gênero, destacando desafios e retrocessos em diferentes áreas.
De acordo com dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) apurados pelo g1, o país contabilizou 1.518 feminicídios no ano passado, ou seja, uma média de quatro mulheres mortas diariamente.
O número supera o recorde anterior, registrado em 2024, quando foram mostrados 1.458 casos no total.
Samira destacou que grande parte das vítimas são “meninas e mulheres que morrem dentro de casa nas mãos de seus parceiros ou ex-parceiros”.
Segundo ela, esses assassinatos raramente ocorrem de forma isolada. “São crimes evitáveis que são anunciados muito antes de acontecerem por uma série de outras violências que se manifestam antes: violência psicológica e agressão física”, afirmou.
Na avaliação da representante do FBSP, a negligência passa por diferentes níveis de governo, com impacto mais evidente nas administrações estaduais.
Ela também critica o uso do combate à violência contra a mulher como discurso eleitoral, que perde força após o período de campanha.
“No momento em que têm o poder da caneta, sentam na cadeira e têm a capacidade de fazer a diferença, [mas] o orçamento não chega. Não se faz política pública sem recursos humanos e financeiros”, disse.
Samira ainda ressaltou que os cortes afetam diretamente os serviços essenciais de apoio às vítimas.
“Há um desfinanciamento dessas políticas nos níveis municipal e estadual, justamente onde estão os serviços da rede de proteção, como assistência social, saúde e segurança, que podem, de fato, fazer diferença na vida dessas mulheres”, afirmou.
Além da violência de gênero, o relatório da HRW também ressalta a atuação do crime organizado no país. A entidade defende novas estratégias no Brasil para enfrentar as facções criminosas em relação às estruturas do Estado.
No capítulo dedicado ao Brasil, a HRW propõe uma reformulação ampla das políticas de segurança pública, com foco no combate estruturado às organizações criminosas e na devida proteção dos direitos humanos.
Classificação Indicativa: Livre