Política

“Quem deve estar preocupado são os Estados Unidos”, diz Lula

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Presidente Lula afirmou que Brasil ampliou o comércio com outros países e demonstrou confiança em um acordo com o governo de Donald Trump  |   BNews SP - Divulgação Foto: Divulgação/Ricardo Stuckert
Andrezza Souza

por Andrezza Souza

Publicado em 15/10/2026, às 21h55



O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que os Estados Unidos devem estar preocupados com a relação comercial com o Brasil, diante das tarifas impostas pelo governo de Donald Trump. Em entrevista à Globo, Lula disse acreditar que os dois países chegarão a um acordo e destacou o crescimento das relações comerciais brasileiras com outros mercados.

“Então, quem deve estar preocupado conosco nesse momento são os Estados Unidos”, declarou o presidente.

Lula afirmou que as negociações entre os dois países continuam. Segundo ele, ministros brasileiros da Indústria e Comércio e das Relações Exteriores estavam em tratativas com representantes norte-americanos naquela semana.

O presidente também avaliou positivamente o diálogo que manteve com Trump desde o início das tensões comerciais. “Eu acho que a minha relação com o Trump foi a relação mais civilizada que eu acho que ele já teve com outro presidente da República”, afirmou.

De acordo com Lula, a relação começou em um cenário de tensão, mas os dois líderes tiveram três conversas. A última ocorreu por telefone e durou quase uma hora e meia, segundo o presidente. Na ocasião, Lula disse ter reclamado do comportamento do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).

Lula destaca avanço comercial com outros países

Ao comentar os efeitos das tarifas norte-americanas, Lula afirmou que o Brasil perdeu 9% na relação comercial com os Estados Unidos. Em contrapartida, destacou o crescimento das trocas com outros parceiros internacionais.

Segundo os números apresentados pelo presidente, o comércio com a China cresceu 20%. Com a Indonésia, a alta foi de 15%. Já com a Alemanha, o avanço chegou a 16%, enquanto o Vietnã registrou crescimento de 13%.

Lula também mencionou o aumento das relações comerciais com outros países e afirmou que o Brasil voltou a registrar recordes de superávit comercial.

O presidente declarou que não pretende recorrer à lei da reciprocidade neste momento, pois deseja manter as negociações com o governo norte-americano. No entanto, afirmou que poderá adotar a medida caso considere necessário.

“Mas, se for necessário fazer, nós vamos fazer e eu acho que eles vão ter problema conosco”, disse.

Presidente diz que não pediu apoio de ministros na eleição

Durante a entrevista, Lula também foi questionado sobre a relação com partidos de centro e o apoio político para uma eventual reeleição. Ele afirmou que não pediu aos ministros que fizessem campanha por sua candidatura.

Segundo o presidente, os partidos que participaram do governo foram chamados para contribuir com a governabilidade, mas cada legenda tem liberdade para decidir quem apoiar durante o processo eleitoral.

“Cada um apoia quem quiser”, declarou.

Lula também defendeu a necessidade de construir uma base no Congresso Nacional para aprovar propostas do governo. Ele citou a reforma tributária como exemplo de medida aprovada durante o mandato e afirmou que seu governo conseguiu aprovar 99% das propostas que apresentou ao Legislativo.

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