Política
O chefe de gabinete do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, Morgan McSweeney, renunciou neste domingo (8) após assumir a responsabilidade por aconselhar a nomeação de Peter Mandelson como embaixador do Reino Unido nos Estados Unidos.
Em comunicado divulgado e repercutido pelo g1, McSweeney afirmou que a decisão foi equivocada e que o conselho dado ao premiê contribuiu para o desgaste político do governo. Mandelson, de 72 anos, teve o nome associado a documentos tornados públicos nos arquivos do caso Jeffrey Epstein.
McSweeney declarou que, ao ser consultado sobre a indicação, recomendou a nomeação de Mandelson e, por isso, considerou adequado deixar o cargo. Segundo ele, a escolha acabou prejudicando a confiança pública na política e no Partido Trabalhista.
A nomeação passou a ser questionada após documentos sugerirem que Mandelson teria repassado informações confidenciais de mercado a Epstein quando atuava como secretário de Negócios em governos anteriores.
Keir Starmer vinha defendendo McSweeney desde o início das críticas. Após a renúncia, o primeiro-ministro afirmou que foi uma honra trabalhar com o ex-chefe de gabinete. O governo informou ainda que pretende divulgar e-mails e outros documentos relacionados ao processo de nomeação, com o objetivo de demonstrar que Mandelson teria enganado autoridades.
Na sexta-feira (6), a polícia do Reino Unido cumpriu mandados de busca em dois endereços ligados a Mandelson, um no sul da Inglaterra e outro em Londres. As diligências estão relacionadas a uma investigação sobre possível má conduta em cargo público.
Mandelson renunciou à Câmara dos Lordes na terça-feira (3) e também se desligou do Partido Trabalhista. O governo britânico avalia medidas para retirar seu título de nobreza e informou ter enviado um dossiê às autoridades policiais com informações sobre o caso.
A saída de McSweeney ocorre menos de dois anos após a ampla vitória do Partido Trabalhista nas eleições parlamentares e amplia o debate interno sobre critérios e processos de nomeação para cargos estratégicos do governo britânico.
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