Política
por Andrezza Souza
Publicado em 13/08/2026, às 07h30
Com 23 casos de sarampo confirmados em 2026, a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) ampliou a vacinação contra a doença para moradores de 6 meses a 59 anos de São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo.
A estratégia vale independentemente do histórico vacinal. Ou seja, mesmo quem já recebeu todas as doses previstas pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) deve procurar uma unidade de saúde nos três municípios, desde que não tenha contraindicações.
Mas por que a recomendação não inclui pessoas com 60 anos ou mais?
Segundo a Secretaria da Saúde, a faixa etária está fora da vacinação indiscriminada porque se considera que grande parte dessa população teve contato natural com o vírus ao longo da vida e desenvolveu uma imunidade duradoura.
A orientação está relacionada ao cenário epidemiológico vivido pelo Brasil nas últimas décadas. Até o início dos anos 1990, o sarampo era endêmico no país e apresentava picos de transmissão a cada dois ou três anos.
A vacinação começou a ser utilizada no Brasil no fim da década de 1960, mas sua aplicação era descontínua. Com isso, pessoas que hoje têm 60 anos ou mais tiveram maior possibilidade de entrar em contato com o vírus durante a infância e a vida adulta.
Isso não significa, porém, que pessoas nessa faixa etária nunca possam receber a vacina.
A vacinação indiscriminada não é indicada para maiores de 60 anos. Existe, entretanto, uma situação específica em que a recomendação muda: o bloqueio vacinal.
A medida pode ser adotada quando uma pessoa teve contato com um caso suspeito ou confirmado de sarampo. Nessa situação, pessoas com mais de 60 anos que sejam contatos do caso e não tenham recebido uma dose anterior podem ser vacinadas, desde que não apresentem contraindicações.
A recomendação também contempla trabalhadores da saúde não vacinados que não tenham as duas doses indicadas.
A vacinação para pessoas de 6 meses a 59 anos foi adotada em São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo devido à confirmação de casos e ao risco de disseminação do vírus nessas localidades.
Nos demais municípios paulistas, a orientação é verificar a situação vacinal da população, realizar busca ativa de pessoas com doses em atraso e atualizar a caderneta conforme a idade e as recomendações do PNI.
Quem apenas pretende viajar para um dos três municípios também não precisa receber uma dose adicional automaticamente. A recomendação é conferir se o esquema vacinal está atualizado.
Sim, para moradores de 6 meses a 59 anos dos três municípios incluídos na estratégia.
A vacinação ampliada é indicada independentemente do histórico vacinal, desde que não existam contraindicações e seja respeitado o intervalo de 30 dias recomendado entre vacinas produzidas com vírus vivos atenuados.
A vacina utilizada é a tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola.
A vacina tríplice viral é contraindicada para gestantes porque utiliza vírus atenuados. Pessoas com imunodeficiência grave ou histórico de anafilaxia a algum componente da fórmula também não devem receber o imunizante.
Já mulheres que estão amamentando podem ser vacinadas normalmente. Segundo a Secretaria da Saúde, não é necessário interromper a amamentação após a aplicação da vacina.
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