Política

Senado aprova projeto que reduz tributos federais sobre combustíveis; texto vai à sanção presidencial

José Cruz/Agência Brasil
Texto permite que arrecadação extra compense benefícios tributários  |   BNews SP - Divulgação José Cruz/Agência Brasil
Bernardo Rego

por Bernardo Rego

Publicado em 13/08/2026, às 09h27



O Senado Federal aprovou na quarta-feira (12) o Projeto de Lei Complementar (PLP) 114/2026 que reduz tributos federais sobre óleo diesel, biodiesel, gasolina, etanol e querosene de aviação. O projeto foi aprovado por 61 votos a 2 e segue para sanção presidencial.

O projeto tem por objetivo mitigar os efeitos do aumento dos preços dos combustíveis decorrente da guerra dos Estados Unidos (EUA) contra o Irã no Oriente Médio, que fechou a principal rota de exportação do petróleo na região. As informações são da Agência Brasil.

Segundo o projeto, a perda de arrecadação vai ser compensada pelo aumento extraordinário de receitas da União obtidas por conta do aumento no valor do petróleo, que ampliou os royalties e outras participações desde o início do ano. Entre janeiro e março de 2026, a arrecadação federal chegou a R$ 28 bilhões, contra R$ 9 bilhões no mesmo período em 2025, um crescimento real superior a 200%.

Benefícios tributários

O projeto de lei prevê que o governo concederá subvenção de R$ 1,2 bilhão aos produtores de etanol hidratado para garantir a diferenciação nos preços da gasolina e do etanol. Os produtores vão poder compensar até R$ 750 milhões em débitos com a Receita Federal que será por meio de saldos credores da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. O valor será proporcional ao percentual de produção de etanol hidratado em 2025 dos contribuintes habilitados.

Entre as medidas para os produtores rurais, o texto reduz de 50% para 30% o limite da receita com exportação para que a empresa possa se enquadrar na suspensão do pagamento do IBS e da CBS.

Outro benefício tributário contido no projeto permite à União conceder até R$ 5 bilhões em créditos fiscais para a produção de fertilizantes, matérias-primas, remineralizadores e bioinsumos entre 2027 e 2031. Os créditos serão de até R$ 1 bilhão por ano. O valor corresponderá a até 20% dos gastos com produção de fertilizantes e matérias-primas em território nacional.

Acordo com o governo

A votação deste Projeto de Lei Complementar foi viabilizada após acordo do governo com lideranças do Congresso Nacional, com participação dos ministérios do Planejamento e da Fazenda. Pela manhã, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), se reuniram no Palácio da Alvorada para definir as prioridades legislativas deste período de esforço concentrado no Parlamento.

Também participaram do encontro o ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, e a líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE).

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