Trem-bala entre São Paulo e Rio volta ao radar e mira início das obras em 2028
Projeto privado prevê ligação entre as capitais em cerca de 1h45 e retoma promessa histórica que atravessa governos desde os anos 1980 | Foto: Divulgação/ANTT
Prometido há mais de quatro décadas, o trem de alta velocidade entre São Paulo e Rio de Janeiro voltou a ganhar forma concreta. O projeto, que prevê uma ferrovia de 417 quilômetros capaz de ligar as duas capitais em aproximadamente 105 minutos, tem início das obras programado para 2028 e operação comercial estimada para 2032.
A iniciativa é liderada pela TAV Brasil, empresa criada em 2022 e autorizada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) a construir e explorar a linha por 99 anos. O investimento estimado gira em torno de R$ 60 bilhões, com execução totalmente privada. O BNDES deve atuar como agente financeiro, sem aporte direto de recursos públicos, como citado pelo site UOL.
Um novo modelo para um velho projeto
O trem-bala sempre enfrentou entraves técnicos, jurídicos e financeiros desde que surgiu no fim dos anos 1980. A mudança de cenário veio com a Lei das Ferrovias (Lei nº 14.273/2021), que passou a permitir autorizações privadas para construção e operação de ferrovias, sem necessidade de licitação.
Com base nessa legislação, a TAV Brasil estruturou um novo modelo de negócio, focado em parcerias internacionais. A empresa negocia a formação de um consórcio com companhias europeias e chinesas, que já possuem experiência em projetos de alta velocidade em outros países.
Integração urbana e ganho de tempo
Foto: Divulgação/ANTT
O projeto prevê integração direta com metrôs e trens urbanos em São Paulo e no Rio de Janeiro, facilitando o deslocamento dos passageiros dentro das regiões metropolitanas. A proposta é oferecer uma alternativa mais rápida e previsível ao transporte rodoviário, que hoje leva cerca de seis horas entre as duas capitais, além de competir com o transporte aéreo em tempo total de viagem.
Ceticismo ainda acompanha o plano
Apesar do avanço institucional, o trem-bala segue cercado de desconfiança. A iniciativa já passou por diferentes governos, órgãos públicos e modelos de concessão, incluindo a antiga RFFSA e a criação da Empresa de Planejamento e Logística (EPL).
Agora, com autorização regulatória, financiamento estruturado e apoio institucional do governo federal, o projeto entra em uma fase decisiva. Se o cronograma for cumprido, o Brasil poderá finalmente estrear no seleto grupo de países com trens de alta velocidade.
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