Farinha Lima
Publicado em 14/10/2026, às 07h00 Foto: Reprodução/Redes Sociais Farinha Lima
Entre bandeiras pró-Lula, discursos e palavras de ordem na Avenida Paulista, um personagem roubou a cena: o chamado “Gostosão da Paulista”. Sem camisa, musculoso e usando uma máscara vermelha, Israel Augusto Gomes dos Santos, de 24 anos, viralizou durante a manifestação de domingo (11) e viu seu perfil no Instagram saltar de cerca de 380 para mais de 246 mil seguidores.
Mas a fama também trouxe à tona problemas na Justiça. Segundo o portal LeoDias, Israel é alvo de boletins de ocorrência por suspeitas de fraude em registros do INSS e obtenção ilegal de dados empresariais. Um dos casos chegou à Justiça, que determinou a devolução e exclusão dos arquivos. Ele recorreu da decisão, e o processo aguarda julgamento em segunda instância. O portal também informou que uma ação trabalhista movida por Israel foi rejeitada em duas instâncias.
Na Paulista, ele conquistou seguidores sem pedir votos. Agora, a fama vem acompanhada de questões que vão muito além da máscara vermelha.
O ato pró-Lula na Avenida Paulista, no domingo (11), reuniu cenas que foram muito além dos discursos políticos. O “Gostosão da Paulista”, sem camisa e de máscara vermelha, chamou a atenção do público, enquanto fãs de Jogos Vorazes, One Piece e outras comunidades da cultura pop marcaram presença. Entre bandeiras, manifestações e referências geek, o evento virou assunto nas redes sociais, com memes e especulações sobre a identidade do mascarado. Mas a programação também teve relatos de depredação e vídeos que tentaram associar o protesto ao consumo de drogas. Uma das gravações usadas para sustentar essa narrativa, porém, já circulava antes do ato e foi divulgada fora de contexto.
A repercussão também chegou à Justiça Eleitoral. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou a retirada de publicações que associavam falsamente um vídeo ao ato na Paulista, incluindo conteúdos compartilhados por Flávio Bolsonaro e outras figuras públicas. Assim, a manifestação terminou com assuntos que disputaram espaço nas redes: o galã mascarado, os fandoms, as denúncias de depredação e a circulação de informações falsas. No roteiro da Paulista, teve de tudo: cultura pop, polêmica e até ordem para apagar postagem.
Depois das pichações registradas na Avenida Paulista após o ato pró-Lula de domingo (11), críticas à esquerda voltaram a circular nas redes sociais, com acusações de radicalismo e depredação. Na segunda-feira (12), apoiadores conservadores organizaram um mutirão para retirar cartazes, recolher lixo e limpar paredes. A ação ganhou o slogan “limpando a baderna”, porque, na política, até o rodo pode virar protagonista.
Mas, se a memória está tão afiada para cobrar a sujeira da Paulista, vale lembrar o 8 de janeiro de 2023. Naquele dia, apoiadores de Jair Bolsonaro invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes, em Brasília. O episódio levou a investigações, condenações e à prisão do ex-presidente, condenado por tentativa de golpe de Estado. Desde então, aliados bolsonaristas seguem defendendo anistia para envolvidos nos atos. Para cobrar a sujeira do adversário, a memória é ótima. Para lembrar a própria, parece que falta produto de limpeza.
Um dia após o ato pró-Lula na Avenida Paulista, eleitores da oposição foram ao local com luvas, rodos e produtos de limpeza. Organizado pelo empresário Tallis Gomes, o mutirão da segunda-feira (12) reuniu voluntários para retirar cartazes, recolher lixo e limpar pichações. A operação foi batizada de “limpando a baderna”, porque, em ano eleitoral, até faxina ganha slogan e espaço nas redes sociais.
A ação contou com a participação de equipes de limpeza urbana da Prefeitura de São Paulo e funcionários do Metrô. Enquanto os voluntários esfregavam paredes e removiam adesivos, lideranças conservadoras cobravam a identificação dos responsáveis pelas pichações e a responsabilização pelos danos ao patrimônio público. Na Paulista, o domingo foi de manifestação e a segunda de faxina. A disputa política, essa, não sai com água e sabão.
Depois que a Avenida Paulista virou palco de um ato pró-Lula no domingo (11), a turma de Flávio Bolsonaro já marcou presença para o próximo dia 18, às 11h. Ricardo Nunes e Tarcísio de Freitas entraram na convocação para a “Festa do Verde e Amarelo”, batizada também de “Bloquinho no 22”. A promessa é de festa da família, da esperança e da vitória.
Parece que viram a Paulista cheia e bateu aquela vontade de não ficar de fora da trend.
Flávio Bolsonaro, evangélico, colocou uma missa em sua agenda de campanha no Dia de Nossa Senhora Aparecida. A visita à Catedral de Brasília ocorre depois da repercussão de declarações de seu mentor espiritual, o bispo JB Carvalho, que defende a retirada do título de padroeira da santa. Flávio nega ter defendido essa medida e alega que a associação é fake news.
Agora, no segundo turno, o candidato aparece em uma celebração católica, em um movimento que também mira o eleitorado católico. A agenda ainda prevê encontro com frei Gilson, figura popular nas redes sociais. Depois de tanta polêmica com a Padroeira, a campanha resolveu trocar a nota de esclarecimento pela presença no altar. Se a fé move montanhas, o voto também parece mover agendas.
Pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta terça-feira (13) aponta que 73% dos católicos entrevistados dizem ter muito interesse no segundo turno presidencial, contra 58% dos evangélicos. O levantamento ouviu 2.002 pessoas por telefone entre os dias 10 e 12 de outubro. Com a disputa eleitoral em andamento, a religião também aparece no radar das campanhas, que buscam dialogar com diferentes segmentos do eleitorado.
Talvez isso ajude a explicar o interesse de Flávio Bolsonaro por Nossa Senhora e pelas referências religiosas na reta final da disputa. Em uma eleição, cada grupo de eleitores entra na conta, e a fé também aparece no discurso público dos candidatos. Amém, eleitor! Na campanha, até o céu virou assunto de palanque.
Flávio Bolsonaro passou de crítico a apoiador da PEC que prevê o fim da escala 6x1 em questão de dias. Na semana passada, o senador defendia uma proposta própria, baseada na negociação entre patrão e empregado. Nesta terça-feira (13), anunciou que votará a favor do texto em discussão no Senado, alegando que a maioria dos trabalhadores quer o fim da escala. A mudança veio depois de cobranças públicas de Lula sobre a posição do adversário.
Agora, a justificativa é que a jornada de trabalho precisa evoluir e garantir mais folgas. A proposta deve ser votada em primeiro turno no Senado nesta quarta-feira (14). Pelo visto, a escala 6x1 entrou em campo e Flávio resolveu mudar a estratégia nos acréscimos. No apagar das luzes, até a opinião ganhou prorrogação.
Flávio Bolsonaro anunciou que não participará do debate da Band no domingo (18) e ainda avalia se irá ao da Globo, marcado para 23 de outubro. Lula confirmou presença nos dois encontros. A justificativa para a ausência na Band ainda não foi detalhada, mas o histórico recente adiciona tempero à situação: em 1º de outubro, Flávio desistiu de um debate da Globo e atribuiu a decisão ao veto do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) à exibição do púlpito vazio de Lula.
Na ocasião, o petista também não compareceu ao encontro. Agora, com Lula confirmado e Flávio em dúvida, a maratona de debates ganhou um novo suspense.
Na campanha, todo mundo quer confronto. Na hora de aparecer, o púlpito pode acabar falando sozinho.
A 12 dias do segundo turno, Lula anunciou um pacote de medidas para microempreendedores individuais (MEIs) que inclui uma proposta para perdoar R$ 12,6 bilhões em dívidas com o governo. O programa Prospera MEI também prevê descontos superiores a 90% na renegociação de débitos bancários, crédito de até R$ 5 mil para investimentos e aumento gradual do teto de faturamento da categoria. O anúncio ocorreu no Palácio do Planalto, nesta terça-feira (13), durante a disputa pela Presidência contra Flávio Bolsonaro.
Além das medidas financeiras, o governo pretende dispensar MEIs da emissão de notas fiscais em vendas para pessoas físicas e ampliar as regras para nanoempreendedores. Com o segundo turno batendo à porta, o governo abriu a gaveta das promessas e colocou R$ 12 bilhões na mesa. O eleitor que empreende ganhou lugar de destaque no pacote eleitoral.
Flávio Bolsonaro afirmou que integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) votarão em Lula por se sentirem protegidos pelo presidente. No primeiro turno, Lula recebeu 8,1 mil votos de presos provisórios, contra 2,6 mil de Flávio, segundo o Metrópoles.
Já em áreas sob influência de milícias no Rio de Janeiro, Flávio venceu em 268 locais de votação, contra 43 de Lula. O pesquisador Bruno Pantaleão, da Fundação Getulio Vargas (FGV), identificou vantagem média de 5,6 pontos percentuais para Flávio nesses territórios.
Na disputa para associar o adversário ao crime, o discurso é um. Nas urnas, os números reservam outras ironias.
A ala da direita já começou a movimentar os bastidores do Senado e colocou Davi Alcolumbre (União) diante de uma sugestão: abrir ainda em 2026 um processo de impeachment contra Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo a CNN Brasil, emissários do grupo argumentam que a iniciativa poderia dar ao senador alguma chance de continuar no comando da Casa em 2027, quando haverá nova eleição para a presidência do Senado. O movimento ocorre enquanto Rogério Marinho (PL-RN) articula apoio para disputar o cargo.
Alcolumbre, porém, mantém a aliança com o governo Lula e é considerado próximo de Moraes. Até o momento, não deu sinais de que pretende encaminhar o pedido. Nos bastidores, a oposição aposta no crescimento da bancada do PL, que deve iniciar 2027 com 30 senadores, para ampliar a pressão sobre o Supremo. No Senado, a disputa pelo comando da Casa já ganhou um novo ingrediente: impeachment na mesa, reeleição no horizonte e muita conversa de corredor.
O canal “Exército do Lula”, administrado por André Janones, poderá voltar a funcionar na quinta-feira (15), após registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O ministro Kassio Nunes Marques autorizou a retomada, mas manteve o prazo de 48 horas e a exigência de preservar as mensagens. A suspensão ocorreu após técnicos apontarem conteúdos apagados ou editados, incluindo publicações já classificadas como falsas. Janones questionou a coincidência entre o bloqueio e a votação sobre o fim da escala 6x1. Com mais de 4,3 milhões de inscritos, o canal continua sob fiscalização da Corte.
Já a campanha de Flávio Bolsonaro complementou o registro da “Tropa do Flávio”, que não havia sido informada corretamente à Justiça Eleitoral. A equipe alegou ter agido por cautela para evitar dúvidas sobre o cumprimento das regras. Com cerca de 1,5 milhão de inscritos, o grupo foi apontado em reportagens pela circulação de conteúdos falsos ou distorcidos, imagens feitas por inteligência artificial e publicações preconceituosas. Na guerra dos grupos, um precisou de registro para voltar ao jogo. O outro correu para regularizar a própria ficha. E a promessa de “notícia de verdade” já começou com a verdade tendo que passar por uma checagem.
Flávio Bolsonaro saiu de uma visita de 30 minutos ao pai, Jair Bolsonaro, dizendo que encontrou o ex-presidente alegre com o resultado do primeiro turno e otimista com o futuro. A conversa foi autorizada por Alexandre de Moraes, com restrições: nada de finalidade político-eleitoral ou divulgação de declarações do ex-presidente. Flávio também afirmou que vai votar a favor do fim da escala 6x1, proposta que antes classificava como oportunista.
Meia hora com o pai, entusiasmo renovado e mudança de posição no pacote. Na reta final da campanha, até o relógio parece trabalhar para Flávio.
Flávio Bolsonaro promete um “tesouraço na censura” em seu plano de governo, com a revogação de decretos e mudanças em órgãos criados pelo atual governo para combater a desinformação. Entre as estruturas que podem perder funções estão a Procuradoria Nacional da União de Defesa da Democracia, ligada à Advocacia-Geral da União (AGU), e secretarias voltadas a políticas digitais. O senador também critica essas iniciativas, que classifica como um “Ministério da Verdade”.
Enquanto promete reduzir a atuação estatal nessa área, a campanha de Flávio pediu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) o bloqueio de 32 perfis alinhados a Lula, sob a alegação de que divulgavam notícias falsas. Em outro episódio, conseguiu uma decisão para retirar do ar o canal de WhatsApp “Exército do Lula”, administrado pelo deputado André Janones, embora a medida tenha sido revertida posteriormente. A campanha afirma defender a liberdade de expressão e o combate à desinformação dentro da lei. A tesoura é contra a censura, mas o botão de bloquear também entrou no plano.
Em uma semana, duas abordagens da Polícia Militar em São Paulo terminaram com 51 tiros contra dois homens. Gustavo Munis de Santana, de 20 anos, foi atingido por 27 disparos em Moema. Antônio Nunes Batista, de 40, morreu após ser baleado na zona norte. Os casos são investigados, e policiais envolvidos foram afastados. Enquanto isso, Tarcísio de Freitas usa as redes sociais para fazer campanha para Flávio Bolsonaro e criticar Lula, inclusive compartilhando um vídeo que circulava antes do ato pró-Lula na Paulista, mas foi apresentado como se tivesse sido gravado durante a manifestação.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou a retirada de publicações específicas que associavam falsamente as imagens ao ato. Na internet, o governador encontra tempo para a guerra de narrativas. Nas ruas, duas mortes cobram respostas.
No Dia das Crianças, Nikolas Ferreira publicou um vídeo em que menores defendem votos contra Lula. Flávio Bolsonaro também compartilhou o conteúdo, que virou alvo de uma representação do PT no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A campanha petista pede a remoção das imagens e acusa os políticos de usar crianças como “escada política”. A gravação colocou a participação de menores na propaganda eleitoral no centro de mais uma disputa judicial da campanha.
Na representação, o PT argumenta que o vídeo associa a perda da infância ao governo Lula e usa crianças para dar peso emocional à mensagem política. O caso foi distribuído ao ministro Marco Aurélio Bellizze e ainda não tinha decisão publicada até a divulgação da reportagem. No Dia das Crianças, a infância ganhou espaço no roteiro eleitoral. Agora, o TSE vai avaliar se esse roteiro pode continuar no ar.
Tarcísio de Freitas já tem até explicação pronta para um eventual governo Flávio Bolsonaro: trabalhar “sem sabotagem do governo federal”. Ao declarar apoio ao senador, o governador aproveitou para criticar Lula, reclamar dos impostos e dizer que o Brasil está “à deriva”. Pelo visto, o plano já vem com diagnóstico, culpado e promessa de alinhamento.
Se der certo, é parceria. Se der errado, a culpa já tem endereço.
Ricardo Nunes aproveitou o evento do MDB para defender a redução da maioridade penal e reforçar o apoio a Flávio Bolsonaro. A sigla declarou apoio majoritário ao senador, com 17 dos 27 diretórios estaduais favoráveis à candidatura.
Nunes também prometeu exportar o Smart Sampa para o país inteiro, com a proposta de Flávio de criar o “Smart Brasil”, com 2 milhões de câmeras.
A maioridade pode até baixar. Já a ambição política segue crescendo.
Uma joalheria na Rua Oscar Freire, nos Jardins, foi alvo de um furto estimado em R$ 5 milhões. O grupo passou cerca de 18 horas nos imóveis, abriu passagens pelas paredes de três lojas e ainda encontrou tempo para beber espumante durante a ação. Pelo visto, os criminosos não estavam com pressa para fechar a conta. Além das joias, mercadorias de estabelecimentos vizinhos também foram levadas.
Para evitar a identificação, os suspeitos cobriram câmeras com papel-alumínio e desativaram alarmes. O crime foi descoberto pelo gerente, e ninguém havia sido preso até a manhã desta terça-feira (13). A Polícia Civil investiga o caso. Levaram milhões em joias e ainda brindaram. Só esqueceram de convidar a polícia para a festa.
O feriado de Nossa Senhora Aparecida terminou com 30 mortes nas rodovias estaduais de São Paulo, segundo dados da Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp). Entre sexta-feira (9) e terça-feira (13), foram registrados 42 acidentes, além de 46 pessoas feridas em diferentes graus. A ocorrência mais grave foi em Itapetininga, onde um micro-ônibus saiu da pista, capotou e caiu em uma ribanceira após ser fechado por um caminhão. Três pessoas morreram, e outras 10 ficaram feridas.
A estimativa era de 18,4 milhões de veículos circulando pelas estradas paulistas durante o período. Enquanto milhares de peregrinos seguiram rumo a Aparecida, a imprudência e os acidentes também marcaram o feriado. Teve romaria, teve estrada cheia e teve gente que não chegou ao destino.