Farinha Lima

Vorcaro’s Secret

Do duplex investigado ao patrocínio VIP: os bastidores do caso Vorcaro, o xadrez político de Tarcísio e a fatura judicial de Marçal e Nunes  |  Foto: imagem feita por IA

Publicado em 04/02/2026, às 07h00   Foto: imagem feita por IA   Farinha Lima

O caso Banco Master ganhou um toque fashion imobiliário: Daniel Vorcaro ofereceu a uma ex-modelo da Victoria’s Secret um duplex de R$ 30 milhões nos Jardins como investimento na marca de beleza que ela pretendia lançar. O imóvel pertence a uma empresa ligada ao banqueiro e investigada pela PF por suspeita de ocultar patrimônio e desvio milionário.

A modelo confirmou a proposta e disse que o negócio não avançou, mas a reforma do apartamento, paga por empresas do entorno de Vorcaro, caminhou até o escândalo estourar e as contas travarem, gerando até cobrança de condomínio. A cobertura virou metáfora involuntária de um enredo que mistura romance, luxo e investigação federal.

Tarcísio submisso (ou não)

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A política paulista ensaiou um debate semântico sobre lealdade: após Gilberto Kassab dizer que gratidão a Jair Bolsonaro não pode virar submissão, Tarcísio de Freitas respondeu que visitar o ex-presidente preso e manter alinhamento “absoluto” com o PL é apenas estender a mão a quem está na pior, não tutela política.

O governador reafirmou que disputará a reeleição em SP e que apoia Flávio Bolsonaro para o Planalto, enquanto minimizou a fala do aliado, classificando-a como opinião pessoal de dirigente partidário. O pano de fundo é o xadrez presidencial do PSD, que filiou Ronaldo Caiado e abriga outros governadores presidenciáveis, vendendo-se como alternativa de centro-direita à polarização.

Em resumo, todos defendem a independência, cada um cuidadosamente alinhado ao seu respectivo projeto nacional.

Fake caríssima

A Justiça paulista colocou preço em performance eleitoral: condenou Pablo Marçal a pagar R$ 100 mil a Guilherme Boulos por espalhar acusações falsas de uso de cocaína durante a campanha à Prefeitura de 2024.

O ex-coach transformou debates em teatro gestual, com mímicas e apelidos pouco parlamentares, e ainda publicou um laudo médico com assinatura falsa que a Justiça Eleitoral mandou derrubar às pressas.

Na sentença, o juiz afirmou que crítica política não inclui fabricar prova para “aniquilar a reputação” do adversário, classificando a manobra como mentira calculada. Marçal diz que vai recorrer e mantém o caso em campo judicial.

Patrocínio divino

A Prefeitura de São Paulo promoveu um réveillon generoso: elevou de última hora, de R$ 4 milhões para R$ 5 milhões, o patrocínio ao evento evangélico Vira Brasil 2026, sem justificativa técnica, sem nova contrapartida e com o dinheiro depositado antes mesmo da assinatura válida do aditivo.

O pacote continuou igual: só ficou mais caro. Organizado pela Convenção Lagoinha, ligada a aliados políticos do entorno de Ricardo Nunes, o evento teve ingressos VIP de até R$ 700 e camarotes de R$ 7 mil, enquanto o carnaval de rua recebeu metade desse valor para dezenas de blocos.

Ao ser cobrado, o prefeito sugeriu que os blocos busquem patrocínio privado; a Secretaria de Turismo afirmou que tudo seguiu a lei. 

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