Negócios
Publicado em 13/04/2026, às 14h54 Foto: Unsplash. Bianca Novais
A busca por imóveis para alugar perdeu força no início de 2026, mas ainda está longe de representar um enfraquecimento do setor. Dados divulgados pela Exame mostram que o mercado passa mais por um ajuste momentâneo do que por uma mudança estrutural.
Levantamento da Brain Inteligência Estratégica aponta que a intenção de locação caiu para 21% no primeiro trimestre deste ano, dois pontos percentuais abaixo dos 23% registrados no terceiro trimestre de 2025.
Ainda assim, o aluguel segue como uma das principais portas de entrada para moradia no Brasil, especialmente diante dos juros elevados e das dificuldades de financiamento imobiliário.
Apesar do recuo, o interesse por aluguel continua distribuído em diferentes estágios. Parte dos brasileiros ainda planeja alugar sem ter iniciado buscas, enquanto outros já pesquisam opções online ou visitam imóveis, indicando que a demanda permanece em movimento e pode se converter em contratos nos próximos meses.
Esse comportamento sugere que o mercado não está esfriando, mas apenas passando por uma acomodação após períodos mais aquecidos.
O fator mais decisivo para entender o cenário atual está no perfil dos interessados. Jovens entre 21 e 28 anos, pertencentes à chamada Geração Z, lideram com folga a intenção de locação: 41% desse grupo pretende alugar um imóvel.
A preferência reflete uma realidade econômica clara: com menor acúmulo de capital e maior dificuldade de acesso ao crédito, o aluguel se torna a alternativa mais viável para iniciar a vida independente.
Na outra ponta, pessoas mais velhas demonstram menos interesse. Entre os chamados baby boomers, apenas 10% consideram alugar, reforçando o peso da casa própria entre gerações anteriores.
O interesse por aluguel também varia conforme a região do país. O Nordeste lidera a intenção de locação, com 24%, seguido de perto pelo Sudeste, com 23%. Já Sul, Centro-Oeste e Norte apresentam índices menores, indicando dinâmicas regionais distintas no acesso à moradia.
Outro dado relevante aponta uma mudança de mentalidade: 29% dos brasileiros afirmam considerar morar de aluguel mesmo tendo condições de comprar um imóvel.
Entre famílias com renda acima de R$ 20 mil mensais, esse percentual sobe para 42%. Nesse grupo, a decisão está menos ligada à falta de recursos e mais a fatores como mobilidade, praticidade e estratégia financeira.
Mesmo com essas transformações, a preferência pela casa própria continua dominante: 71% dos entrevistados ainda veem a compra como prioridade.