Polícia
Publicado em 28/09/2026, às 17h55 Foto: Divulgação/Novo Nordisk Marina do Val
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) investiga no Brasil 13 notificações de suspeita de Neuropatia Óptica Isquêmica Anterior não Arterítica (NOIA), condiçãorara no nervo óptico que pode provocar a perda súbita e permanente da visão, em pacientes que usavam medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1, conhecidos popularmente como canetas emagrecedoras.
De acordo com o painel de farmacovigilância do órgão regulador, os relatos sob apuração estão distribuídos entre medicamentos com as substâncias semaglutida e tirzepatida, somando 5 notificações no Ozempic, 3 no Wegovy, 2 no Wegovy FlexTouch, 2 no Rybelsus e 1 no Mounjaro.
Além dos 13 registros específicos de NOIA, a agência contabiliza outros 74 relatos de alterações visuais diversas no país, que variam de redução da acuidade visual até perda de visão central e manchas no campo da vista.
A Neuropatia Óptica Isquêmica Anterior funciona como um "infarto" do nervo óptico, a estrutura responsável por levar as imagens captadas pelos olhos até o cérebro.
Quando os pequenos vasos sanguíneos que irrigam essa região sofrem uma interrupção no fluxo ou entupimento, as células nervosas acabam morrendo por falta de oxigenação.
O sintoma é uma queda brusca e indolor da visão em um dos olhos, com baixa probabilidade de recuperação total.
A Anvisa enfatiza que os episódios estão sob apuração rigorosa e são tratados estritamente como casos suspeitos.
O fato de uma complicação ser registrada por um paciente em uso de um fármaco não comprova, por si só, que o medicamento tenha causado a lesão. No entanto, o risco de surgimento da doença já motivou atualizações regulatórias.
Desde junho de 2025, a agência determinou a inclusão da NOIA nas bulas dos remédios à base de semgalutida como uma reação adversa muito rara.
Em nota à Folha de S.Paulo, as fabricantes envolvidas se pronunciaram sobre os monitoramentos.
A Novo Nordisk (responsável por Ozempic, Wegovy e Rybelsus) declarou que a segurança dos pacientes é prioridade máxima e que os ensaios clínicos realizados não demonstraram associação direta entre o uso de semaglutida e o desenvolvimento de NOIA, reforçando que atua em colaboração com autoridades regulatórias globais.
Já a Eli Lilly (responsável pelo Mounjaro) afirmou que mantém programas contínuos e rigorosos de farmacovigilância para monitorar qualquer evento adverso relatado, incluindo queixas oftalmológicas.
Especialistas em oftalmologia e endocrinologia alertam que pacientes em tratamento para diabetes tipo 2 ou obesidade não devem interromper o uso do medicamento por conta própria, mas sim procurar orientação médica caso percebam alterações visuais.
O alerta principal recai sobre o uso indiscriminado para fins puramente estéticos, por pessoas sem indicação clínica clara. Nesses casos, o indivíduo assume os riscos de efeitos adversos raros, mas graves, sem obter um benefício médico equivalente para a saúde.
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