Polícia

Após apuração, Sefaz-SP multa Ultrafarma e Fast Shop em quase R$ 3 bilhões

As multas foram aplicadas devido ao envolvimento das empresas em um esquema de corrupção e fraude do ICMS; o caso é apurado pela Sefaz-SP desde 2025  |  Foto: Divulgação

Publicado em 01/08/2026, às 08h45   Foto: Divulgação   Amanda Ambrozio

A Secretaria da Fazenda e Planejamento de São Paulo (Sefaz-SP) aplicou autos de infração que somam quase R$ 3 bilhões contra as redes varejistas Ultrafarma e Fast Shop.

As multas são resultado de uma apuração interna iniciada após a Operação Ícaro, investigação do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) que apura um suposto esquema de fraude tributáriae corrupção envolvendo auditores fiscais da própria pasta.

Segundo o g1, as multas aplicadas diretamente às duas empresas totalizam R$ 2,86 bilhões.

Além disso, empresas de terceiros também foram multadas em cerca de R$ 947 milhões por operações consideradas irregulares durante a investigação.

Foto: Reprodução/Redes sociais

Operação apura fraude em créditos de ICMS

As multas foram elaboradas por um grupo de trabalho criado pela Fazenda em setembro de 2025 para revisar processos relacionados ao ressarcimento de créditos de ICMS.

De acordo com o Ministério Público, auditores fiscais manipulavam processos administrativos para acelerar ou facilitar a liberação de créditos tributários, inclusive com valores supostamente inflados, em troca do pagamento de propina por grandes empresas do varejo.

Uma das empresas recebeu uma única multa de R$ 1,47 bilhão.

A outra foi alvo de três autos de infração, que somam aproximadamente R$ 1,39 bilhão, referentes a diferentes irregularidades identificadas pela fiscalização.

Investigação aponta esquema bilionário de corrupção

A Operação Ícaro foi deflagrada em agosto de 2025 pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão aos Delitos Econômicos (Gedec).

Entre os principais investigados está o auditor fiscal Artur Gomes da Silva Neto, conhecido como "King", apontado como um dos mentores do esquema.

Segundo o MP, ele teria recebido R$ 383,6 milhões em propinas e movimentado mais de R$ 1 bilhão por meio das fraudes.

Outro investigado é o auditor aposentado Alberto Toshio Murakami, conhecido como "Americano", acusado de emitir pareceres favoráveis para acelerar a liberação de créditos de ICMS.

Considerado foragido desde 2025, ele integra a lista de Difusão Vermelha da Interpol e, segundo as investigações, vive nos Estados Unidos.

Também é investigado o ex-delegado tributário Paulo Sérgio Siqueira do Prado, o "PP", que firmou acordo de delação premiada com o Ministério Público. De acordo com os investigadores, ele atuava como intermediário entre os principais integrantes da organização criminosa.

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