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Boletim de ocorrência online: o que acontece depois do registro?

Registro feito pela internet passa por análise policial e pode ser encaminhado à delegacia responsável pelo local do crime  |  Foto: Pexels

Publicado em 31/08/2026, às 07h00   Foto: Pexels   Andrezza Souza

Registrar um boletim de ocorrência pela internet evita, em determinadas situações, que a vítima precise ir imediatamente a uma delegacia. Depois do envio, porém, o caso ainda passa por uma análise antes de seguir para a unidade responsável.

Em São Paulo, os registros de fatos criminais feitos pela internet são analisados por policiais civis, sob supervisão de um delegado. Após a aprovação, o boletim é encaminhado à unidade responsável pela região onde o crime ocorreu, segundo a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP).

A delegada Raquel Gallinati, em entrevista ao BNews SP, explica que o registro não fica simplesmente armazenado no sistema. A Delegacia Eletrônica pode pedir esclarecimentos ou correções antes da efetivação da ocorrência.

Segundo Raquel, depois que o boletim é validado, a ocorrência passa a integrar os sistemas policiais e pode ser direcionada à unidade responsável pela apuração.

“O boletim de ocorrência é a comunicação daquele fato à polícia. A partir do registro, a ocorrência será analisada e serão definidos os encaminhamentos necessários de acordo com o tipo de crime e com as informações disponíveis”, afirmou Gallinati.

Foto: Pexels
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O registro gera investigação?

O boletim comunica o crime à polícia, mas o registro não significa que haverá uma investigação imediata em todos os casos. A autoridade policial analisa as informações e define os encaminhamentos de acordo com a ocorrência.

Para Raquel, a qualidade das informações apresentadas pela vítima pode ajudar na apuração.

Ela recomenda informar horário, endereço, características dos envolvidos, placas de veículos, telefones, perfis de redes sociais, e-mails, comprovantes de transferências, conversas, fotografias, vídeos e testemunhas. A existência de câmeras de segurança também deve ser mencionada.

Em casos de roubo ou furto de celular, a delegada destaca a importância de informar o IMEI.

“Não escreva apenas ‘fui roubado’ ou ‘caí em um golpe’. Conte como aconteceu, em ordem cronológica, e coloque os detalhes que você conseguir lembrar”, orientou Raquel.

A SSP informa que as solicitações feitas pela Delegacia Eletrônica são estimadas em até 24 horas para análise. O prazo pode mudar conforme a demanda ou eventuais problemas técnicos. Durante a análise, o policial responsável pode entrar em contato com o solicitante.

Por isso, a vítima deve manter os dados de contato atualizados e acompanhar os canais informados no pedido.

Quando é preciso ir pessoalmente à delegacia?

Nem todos os crimes podem ser registrados pela internet.

Segundo a SSP, casos envolvendo, entre outros crimes, morte, latrocínio, extorsão, estupro, sequestro e cárcere privado exigem atendimento presencial.

A ida à delegacia também pode ser necessária quando for preciso apresentar documentos ou objetos ou realizar procedimentos que dependam da presença da vítima. A SSP cita, entre os exemplos, situações relacionadas à constatação da localização de um celular.

Solicitações com informações insuficientes para compreender o que aconteceu também podem ser indeferidas. Nesses casos, o cidadão recebe orientação sobre como deve proceder.

E se surgirem novas provas?

Uma vítima pode conseguir novas informações depois de registrar o boletim, como imagens de câmeras, fotografias, vídeos ou dados de um possível suspeito.

De acordo com a SSP, esse material deve ser levado diretamente à delegacia responsável pela ocorrência. A Delegacia Eletrônica não recebe documentos, fotos ou vídeos pela página ou por e-mail.

Dependendo da natureza do caso, é possível solicitar pela internet um complemento do boletim para acrescentar determinadas informações relacionadas ao fato inicial.

Esse recurso, porém, tem limitações. Segundo a SSP, ele não permite alterar informações já registradas, indicar suspeitos, formalizar representação criminal ou encaminhar elementos destinados à investigação. Nessas situações, a vítima deve procurar a unidade responsável.

A vítima consegue acompanhar o caso?

Essa é uma das principais dúvidas de quem registra um boletim de ocorrência online.

A investigação não pode ser acompanhada remotamente pela Delegacia Eletrônica, segundo a SSP. O distrito responsável aparece no próprio boletim e pode ser procurado pelo interessado para obter informações sobre o andamento da ocorrência.

Relatos de vítimas ouvidas pelo BNews SP mostram que essa falta de acompanhamento pode gerar frustração.

Uma moradora da Zona Sul de São Paulo, que preferiu não ser identificada, contou que registrou um golpe online logo depois do ocorrido. Ela tinha informações sobre o suspeito e acreditava que o boletim poderia ajudar nas providências seguintes.

O preenchimento foi simples, segundo ela. Meses depois, porém, recebeu uma solicitação para comparecer pessoalmente à delegacia. Sem tempo para fazer o deslocamento, acabou desistindo de prosseguir com o caso.

Luiz Feitosa, morador de Guarulhos, também registrou uma ocorrência poucas horas depois de ter o celular furtado. Ele relatou que não teve dificuldades para preencher o formulário, mas não recebeu novas informações e não recuperou o aparelho.

Como fazer o boletim de ocorrência online?

O procedimento depende do estado. Em São Paulo, o cidadão deve acessar a Delegacia Eletrônica da Polícia Civil, escolher a natureza da ocorrência disponível e preencher as informações solicitadas.

Entre os dados que podem ajudar no registro estão:

Depois do envio, é importante guardar o protocolo e verificar qual unidade policial ficou responsável pela ocorrência.

Por que registrar mesmo quando não há retorno?

Para Raquel Gallinati, o registro continua sendo importante mesmo quando a vítima não recebe uma atualização sobre a investigação.

A delegada explica que os boletins também ajudam a polícia a identificar padrões de criminalidade, considerando locais, horários e formas de atuação.

“Esses registros também permitem identificar padrões de criminalidade: locais, horários, formas de atuação e até ocorrências que podem estar relacionadas entre si”, explicou Gallinati.

A delegada também orienta que novas informações sejam comunicadas à polícia caso apareçam depois do registro.

Uma testemunha, uma gravação de câmera, uma placa ou outro dado relacionado ao crime pode ser levado à unidade responsável pela ocorrência.

A SSP também alerta para golpes envolvendo a própria Delegacia Eletrônica. O órgão afirma que não entra em contato para comunicar boletins de ocorrência que não tenham sido solicitados pelo cidadão. Mensagens inesperadas com links, QR Codes ou anexos devem ser ignoradas. Os serviços da Delegacia Eletrônica da Polícia Civil de São Paulo são públicos e gratuitos.

Classificação Indicativa: Livre


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