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Casas Bahia e Assaí estão entre as empresas beneficiárias da máfia do ICMS, aponta MPSP

MPSP revelou novos beneficiários de esquema que concedia créditos fiscais em troca de propina  |  Reprodução/ Redes Sociais

Publicado em 03/09/2026, às 10h35   Reprodução/ Redes Sociais   Bernardo Rego

Durante operação do Ministério Público de São Paulo (MPSP), deflagrada na manhã desta quinta-feira (3), onde acabou preso André Weisso, número 3 da Secretaria da Fazenda e Planejamento do estado até maio deste ano, e o advogado João Buttini, também foram revelados novos beneficiários da “Máfia do ICMS”, organização criminosa que concedia créditos fiscais em troca de propina.

Ao todo, são realizadas buscas em 47 endereços na capital, na Grande São Paulo, no interior paulista e em Mato Grosso do Sul, para a identificação dos envolvidos no esquema de propina. Entre os alvos, está Vitor Manuel dos Santos Alves Jr., ex-diretor executivo da Diretoria Executiva da Administração Tributária (Deat) da Secretaria da Fazenda.

Buttini foi contratado por grupos que gerenciam grandes empresas varejistas como Casas Bahia, Assaí, Dia e Ipiranga. Segundo as investigações, as empresas eram beneficiadas com a liberação fraudulenta, agilização ou centralização de grandes valores de ressarcimentos de ICMS-ST (Substituição Tributária) e créditos acumulados de ICMS.

A ação é um desdobramento da Operação Ícaro, que resultou na prisão preventiva de executivos de grandes empresas, como a Ultrafarma e a Fastshop, e desarticulou esquema de fraude tributária arquitetado pelo ex-auditor fiscal Artur Gomes da Silva Neto. As informações são do Metrópoles. 

Confira os beneficiários do esquema:

Sendas/Assaí: ressarcimentos suspeitos de cerca de R$ 800 milhões com repasses identificados de R$ 52.9 milhões para as contas do grupo Buttini

VIA S.A./Grupo Casas Bahia: apontada como um dos maiores beneficiários do esquema, tendo realizado pagamentos milionários ao escritório operador de Buttini (incluindo R$ 27,6 apenas em 2023)

Supermercado Dia: beneficiado pela liberação de dois processos de ressarcimento que somavam R$ 97,7 milhões mediante divisão de propina mapeada em planilhas apreendidas

Metrópole Distribuidora de Bebidas: beneficiada com a agilização e ressarcimentos, com pagamento de mais de R$ 32 milhões de propina

Ipiranga: investigada por supostos ressarcimentos tributários e créditos acumulados de ICMS irregulares junto à Sefaz-SP

Fast Shop: contratou serviços de “assessoria tributária” da empresa Smart Tax Consultoria Tributária fundada pelo próprio auditor fiscal Artur Gomes em conjunto com sua mãe

Carrefour: beneficiado pelo esquema por meio de facilitação na liberação de recursos e blindagem contra fiscalizações da Secretaria da Fazenda

O que dizem os envolvidos

Em nota, a Secretaria da Fazenda e Planejamento do estado de São Paulo afirma que, desde agosto de 2025, quando foi deflagrada a Operação Ícaro, atua em conjunto com o MPSP na apuração dos fatos. “Qualquer novo fato decorrente dos desdobramentos da operação, inclusive de eventuais acordos de delação ou denúncias, será rigorosamente apurado e, comprovadas irregularidades, serão adotadas as medidas cabíveis”, diz a nota.

Ainda segundo a Sefaz, as empresas envolvidas estão sendo responsabilizadas, com autuações específicas que já resultaram na constituição de mais de R$ 3 bilhões em créditos tributários, multas e juros.

Procurado, o grupo Dia afirma que, até o momento, não foi notificado pelo Ministério Público e que “não compactua com qualquer prática ilícita ou conduta que esteja em desacordo com a legislação e com seus princípios éticos”. A empresa diz que conduz suas atividades “com integridade, transparência e respeito às normas vigentes e repudia qualquer prática de corrupção ou obtenção de vantagem indevida”. Também afirma que permanece à disposição das autoridades competentes para eventuais esclarecimentos.

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