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Caso PM Gisele: veja como é a prisão onde tenente-coronel Geraldo Neto está preso

Prisão exclusiva para policiais militares tem disciplina rigorosa, rotina controlada e sistema de trabalho que pode reduzir penas  |  Foto: Reprodução/TV Globo.

Publicado em 20/03/2026, às 15h06   Foto: Reprodução/TV Globo.   Bianca Novais

Criado em 1957, o Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte de São Paulo, é destinado a policiais militares condenados pela Justiça comum ou militar. Segundo a CNN Brasil, a unidade também pode receber agentes que ainda respondem a processos ou cumprem medidas de segurança.

Lá está preso o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto pelo feminicídio da esposa, a soldado PM Gisele Alves Santana.

Foto: Reprodução/Redes sociais.

A organização interna é dividida em quatro seções: para condenados à reclusão e detenção convertida em prisão, para condenados à pena de prisão, para detidos à disposição da Justiça e uma área agropecuária voltada ao trabalho dos internos.

Administrativamente, o presídio integra a Polícia Militar do Estado de São Paulo e segue regras próprias da Justiça Militar.

Rotina disciplinar

A rotina dos cerca de 156 internos, maioria homens, é marcada por disciplina rígida. Logo pela manhã, por volta das 7h, todos devem se apresentar aos superiores com barba feita, roupas passadas e botas engraxadas.

O descumprimento das normas pode levar à transferência para um presídio comum. Além disso, a conduta dos detentos é registrada em relatórios que avaliam comportamento e caráter, podendo impactar diretamente na permanência do policial na corporação.

Trabalho e redução de pena

O trabalho é parte central da dinâmica do presídio. Internos podem atuar em atividades como horta, padaria, lava-rápido, apiário e criação de animais, além de serviços gerais. Há também uma empresa instalada dentro da unidade para produção de peças automotivas.

A remuneração segue regras específicas: parte do valor é destinada à família, outra ao próprio presídio e uma fração fica reservada para o detento retirar ao deixar a unidade. Em geral, dois terços do que é recebido ficam guardados até a saída.

O trabalho também permite a remição da pena: a cada três dias trabalhados, um dia é reduzido da condenação. Cerca de 80% dos internos participam dessas atividades.

Estudo e leitura

Além do trabalho, a redução da pena pode ocorrer por meio do estudo e da leitura. Um curso superior a distância na área de recursos humanos é oferecido, e cada 12 horas de estudo equivalem a um dia a menos na pena.

A leitura também conta: cada livro lido e resenhado pode reduzir até quatro dias da condenação, com limite anual de 12 obras.

Histórico

Conhecido como “Barro Branco”, o presídio também teve papel durante a ditadura militar, quando uma de suas alas foi usada para presos políticos. Em 1975, internos produziram um documento denunciando abusos ocorridos no período, marcando um episódio de resistência dentro da unidade.

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