Polícia
Publicado em 17/05/2026, às 14h07 Foto: Reprodução/MPT/Divulgação Andrezza Souza
Uma fiscalização realizada em uma obra no bairro Nova Veneza, em Sumaré, no interior de São Paulo, terminou com o embargo parcial do empreendimento após a identificação de uma série de irregularidades consideradas graves pelas autoridades trabalhistas.
Segundo o Ministério Público do Trabalho (MPT) e o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), 84 trabalhadores presentes no local estavam expostos a condições classificadas como de “grave e iminente risco de morte”.
A operação ocorreu entre os dias 3 e 4 de maio e revelou problemas em diferentes estruturas do canteiro de obras. Além das falhas de segurança, a fiscalização encontrou uma situação que ampliou a gravidade do caso: dois trabalhadores foram resgatados em condições análogas à escravidão.
Durante a inspeção, as equipes identificaram a ausência de sistemas coletivos de proteção contra quedas em altura em pavimentos e na última laje da construção. Também foram encontradas irregularidades nos elevadores de cremalheira utilizados na obra.
De acordo com os órgãos fiscalizadores, os dispositivos de segurança desses equipamentos haviam sido burlados e operavam sem monitoramento adequado.
A vistoria ainda apontou falta de sinalização e ausência de restrição de circulação em áreas sujeitas à queda de objetos. As plataformas de proteção primária apresentavam problemas de integridade e, segundo o MPT e o MTE, o projeto técnico sequer possuía assinatura de um profissional habilitado.
As autoridades não divulgaram o nome das empresas envolvidas.
Além da área principal da obra, a fiscalização também inspecionou alojamentos utilizados por trabalhadores de quatro empreiteiras subcontratadas que atuavam no local.
Em um dos espaços vistoriados, dois homens foram encontrados vivendo em condições degradantes. Segundo o Ministério Público do Trabalho, os trabalhadores eram submetidos a violações de direitos fundamentais e estavam alojados em estruturas incompatíveis com condições mínimas de dignidade.
Diante da situação, os dois foram resgatados por auditores-fiscais e tiveram acesso à emissão de guias para recebimento do seguro-desemprego.
Após a operação, foi firmado um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) com a empresa responsável. O acordo estabelece o pagamento imediato das verbas salariais e rescisórias pendentes, além de indenização de R$ 3 mil por dano moral individual para cada trabalhador resgatado.
Também foi definido o pagamento de R$ 8 mil por dano moral coletivo, valor destinado a entidades de interesse social indicadas pelo MPT.
O procurador Gustavo Rizzo Ricardo afirmou que o cronograma de uma obra não pode se sobrepor à dignidade humana e ao valor social do trabalho. Segundo ele, o cenário encontrado em Sumaré demonstrou desrespeito às normas básicas de saúde e segurança.
O TAC determina ainda adequações obrigatórias nas condições de moradia oferecidas aos trabalhadores, incluindo camas individuais com enxoval, armários trancados, água potável, lavanderia e espaços adequados para refeições.
Caso as medidas não sejam cumpridas, a multa pode chegar a R$ 2 mil por infração e por trabalhador afetado. O caso segue sob acompanhamento das autoridades trabalhistas.
Acidente antes de show de Fábio Porchat deixa feridos
PM conclui legítima defesa em morte de policial em SP
Idoso apresenta sinais vitais após ser declarado morto no interior de SP