Polícia

Gestor da Prefeitura de SP repassou R$ 4,4 milhões para evento de irmão

Rodrigo Raveli é investigado de ter financiado com dinheiro público ao menos 11 eventos de seu irmão, Fabrício Raveli; verba pertencia à SPTuris  |  Foto: Reprodução/Prefeitura de SP

Publicado em 06/06/2026, às 10h54   Foto: Reprodução/Prefeitura de SP   Amanda Ambrozio

A Prefeitura de São Paulo instaurou uma apuração interna para investigar o direcionamento de ao menos R$ 4,4 milhões em verbas públicas para eventos organizados pelo produtor musical Fabrício Raveli.

Segundo o portal Metrópoles, ele é irmão de Rodrigo Raveli, que ocupa o cargo de gerente de eventos da São Paulo Turismo (SPTuris), empresa pública municipal responsável pelo setor, desde fevereiro de 2022.

O caso começou a ser investigado depois de diversas denúncias apontarem falta de transparência e indícios de conflito de interesses na liberação de recursos para infraestrutura e contratação de pessoal para festivais privados de música.

Foto: José Cordeiro/SPTuris

Ausência de documentação e nomes camuflados

O modelo de investimento questionado consiste no fornecimento de infraestrutura e serviços (como palco, som e equipes de produção) por meio de fornecedores usuais da SPTuris para eventos selecionados internamente.

Os aportes financeiros e os critérios de escolha dos festivais beneficiados não foram publicados no Diário Oficial do Município, inviabilizando o controle público sobre quem solicitou ou quem autorizou a verba.

Documentos internos da SPTuris frequentemente utilizam siglas ou nomes reduzidos para se referir aos eventos, dificultando a identificação dos organizadores e dos donos das marcas beneficiadas.

Entre 2024 e 2025, pelo menos 11 eventos de marcas pertencentes a Fabrício Raveli (como RockFun, Rock Nation e Tennessee Fest) receberam repasses estruturais.

Apenas a edição do Esquenta RockFun Fest de 2024 demandou R$ 1,7 milhão do orçamento municipal.

Conexões empresariais

Fabrício Raveli é ex-sócio da Complexys, empresa que se tornou alvo de investigação da Polícia Civil por suspeita de emissão de notas fiscais frias na prestação de contas de um contrato de R$ 108 milhões firmado com a prefeitura para a instalação de pontos de Wi-Fi públicos.

Além disso, após a nomeação de Rodrigo Raveli para a gerência da SPTuris, ele firmou mais de R$ 9 milhões em contratos com empresas de outro ex-sócio de Fabrício na área de tecnologia.

Em todos esses processos, o gerente atua diretamente como o fiscal técnico dos contratos.

Rodrigo declarou que a escolha dos eventos foi uma "coincidência". Ele afirmou que a gerência apenas recebe os briefings dos promotores, monta as propostas operacionais e as encaminha para a validação da Secretaria Municipal de Turismo.

O irmão admitiu ter solicitado parte dos recursos, mas disse não saber se os trâmites ocorreram de forma formal ou informal.

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