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Golpe do falso entregador preocupa condomínios e expõe falhas na segurança em SP

Disfarçados com mochilas e uniformes de aplicativos, criminosos aproveitam a confiança dos moradores para invadir prédios na capital paulista  |  Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Publicado em 15/07/2026, às 14h40   Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil   Marcela Guimarães

A cena já faz parte da rotina de milhares de paulistanos: um entregador toca o interfone, o morador confirma o pedido e a portaria libera o acesso. Mas a praticidade das entregas por aplicativo também passou a ser explorada por criminosos, que utilizam mochilas térmicas, capacetes e até uniformes para se passar por profissionais e entrar em condomínios residenciais.

Em diferentes regiões da capital paulista, síndicos e administradoras atuam reforçando os protocolos de segurança após relatos de criminosos que utilizam o disfarce para praticar roubos, furtos e outros delitos.

A estratégia preocupa especialistas porque se apoia justamente na confiança criada pela frequência das entregas, tornando mais difícil identificar quem realmente trabalha para uma plataforma.

Como funciona o golpe

Na maioria dos casos, os criminosos chegam ao condomínio caracterizados como entregadores de aplicativos. Eles carregam mochilas térmicas, chegam de motocicleta e alegam possuir uma entrega para determinado apartamento.

Em algumas situações, o pedido realmente existe. Em outras, o suposto entregador informa que precisa apenas confirmar dados com o morador ou solicita autorização para subir.

Depois de ultrapassar a portaria, os criminosos podem anunciar o assalto, render moradores ou funcionários e até facilitar a entrada de comparsas. O golpe também pode ocorrer quando o criminoso observa a entrada ou saída de moradores para acessar o condomínio sem passar pelos controles de segurança.

Vulnerabilidades exploradas

Segundo profissionais da área de segurança condominial, os golpistas costumam aproveitar falhas operacionais, como a falta de confirmação da entrega com o morador, liberação automática da entrada e protocolos diferentes entre os turnos de trabalho.

Outro fator que favorece a ação é o grande aumento do número de entregas realizadas diariamente em condomínios, o que diminui o nível de desconfiança em relação aos profissionais que chegam ao local.

Foto: Divulgação/Governo de São Paulo

Empresas reforçam medidas

As plataformas de entrega vêm aumentando seus mecanismos de segurança, como identificação dos entregadores por meio do aplicativo, acompanhamento em tempo real das entregas e canais para denúncia de perfis suspeitos.

Ainda assim, especialistas ressaltam que nenhuma tecnologia substitui o cumprimento rigoroso dos protocolos de acesso pelos condomínios.

Para a Associação Brasileira das Empresas de Sistemas Eletrônicos de Segurança (Abese), o golpe se aproveita de uma rotina que passou a ser vista como comum.

O criminoso não precisa arrombar um portão quando consegue convencer alguém a abri-lo. A aparência de normalidade é justamente a principal arma desses golpistas. Por isso, o protocolo deve ser seguido em todas as entregas, sem exceções”, diz a associação.

Segundo o especialista Marcos Sousa, a melhor forma de prevenção continua sendo a combinação entre tecnologia, treinamento das equipes e conscientização dos moradores: “Portarias bem treinadas, moradores atentos e regras claras diminuem muito as oportunidades para esse tipo de crime. Segurança depende muito mais de procedimentos do que de equipamentos”.

O que fazer para evitar o golpe

Sempre confirme se a entrega realmente foi solicitada antes de autorizar o acesso e nunca libere a entrada apenas pela aparência ou uniforme do entregador. Priorize a retirada de encomendas na portaria sempre que possível. Oriente familiares, principalmente idosos, sobre o golpe.

Classificação Indicativa: Livre


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