Polícia
Esconder produtos em bolsas, mochilas ou até mesmo nas roupas e deixar o estabelecimento sem passar pelo caixa. Essa é uma prática que tem preocupado comerciantes de São Paulo e gerado prejuízos para o varejo.
Embora muitos furtos envolvam itens de pequeno porte, a frequência das ocorrências tem levado mercados e farmácias a reforçarem sistemas de monitoramento e mudarem a rotina de funcionários.
Além do impacto financeiro, os estabelecimentos afirmam que os casos exigem atenção constante das equipes, que precisam conciliar o atendimento aos clientes com a vigilância de situações suspeitas. Produtos de alto valor e fácil ocultação estão entre os principais alvos dos criminosos, obrigando o varejo a investir cada vez mais em prevenção.
Um funcionário de um supermercado da capital, que preferiu não se identificar, afirma que esse tipo de ocorrência faz parte da rotina do estabelecimento.
"Sim, infelizmente acontece. Já vi cliente escondendo produtos dentro da bolsa e tentando sair sem passar pelo caixa. Em uma das vezes, a equipe percebeu pelas câmeras e conseguiu abordar a pessoa antes que ela deixasse a loja."
Segundo ele, os furtos não são diários, mas acontecem com frequência suficiente para manter a equipe em estado de atenção.
"Não acontecem todos os dias, mas são recorrentes. A gente acaba ficando mais atento, principalmente nos horários de maior movimento, quando é mais fácil alguém tentar passar despercebido."
De acordo com o funcionário, os criminosos costumam escolher mercadorias que podem ser escondidas facilmente durante a circulação pelos corredores.
"Normalmente são produtos menores e de maior valor, como chocolates, bebidas, itens de higiene pessoal e cosméticos, porque são mais fáceis de esconder."
A mesma realidade é observada nas farmácias. A gerente Mariana Oliveira, de 36 anos, afirma que os furtos alteraram a dinâmica de trabalho da equipe.
"Além do prejuízo financeiro, acaba exigindo mais atenção dos funcionários. Eles precisam atender os clientes e, ao mesmo tempo, observar situações suspeitas, o que dificulta a rotina."
Segundo ela, dermocosméticos, suplementos, perfumes, lâminas de barbear e medicamentos isentos de prescrição estão entre os itens mais procurados pelos criminosos.
Os produtos mais furtados costumam reunir duas características: alto valor comercial e tamanho reduzido, o que facilita a ocultação durante o furto.
Para reduzir as perdas, a farmácia reforçou o monitoramento por câmeras, reorganizou a disposição de alguns produtos e passou a orientar os funcionários sobre como agir diante de movimentações suspeitas.
"A ideia é prevenir sem constranger os clientes que estão fazendo compras normalmente", explica Mariana.
O problema não afeta apenas pequenos comerciantes. Levantamento da Associação Brasileira de Prevenção de Perdas (Abrappe) mostra que o varejo brasileiro registrou perdas de aproximadamente R$ 42,1 bilhões em 2025, resultado de furtos, fraudes, erros operacionais e outras ocorrências. Entre os segmentos mais impactados estão supermercados e farmácias.
Nas drogarias, a situação ganhou novos contornos com o aumento da procura ilegal por medicamentos de alto valor comercial. Pesquisa da Abrappe apontou crescimento de 38,9% nas perdas registradas por farmácias, impulsionado principalmente pelo furto de dermocosméticos e canetas emagrecedoras.
Em São Paulo, o impacto também é significativo. Dados do setor apontam que as redes farmacêuticas registraram 3.838 furtos de canetas emagrecedoras durante 2025, com prejuízo estimado em R$ 68,9 milhões. Ao todo, foram furtadas 58.898 unidades, média de 11 ocorrências por dia, sendo 7 delas na capital paulista.
O crescimento das perdas levou muitas redes a reverem a exposição de produtos e ampliarem investimentos em monitoramento e prevenção de furtos.
Em nota enviada ao BNews São Paulo, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que as polícias Civil e Militar mantêm ações permanentes de combate aos furtos em farmácias, aos roubos e à receptação de medicamentos de alto valor comercial, incluindo as canetas emagrecedoras.
Segundo a pasta, apenas entre janeiro e maio deste ano foram presas 13 pessoas e apreendidos 2 adolescentes envolvidos nesse tipo de crime na capital paulista.
No mesmo período, foram recuperadas ou apreendidas mais de 70 caixas e cerca de 200 unidades avulsas de medicamentos.
A SSP informou ainda que o Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) atua na identificação de grupos especializados nesse tipo de delito, realizando investigações, cumprimento de mandados judiciais, prisões em flagrante e operações voltadas ao combate da receptação.
As investigações também utilizam recursos tecnológicos, como o Sistema Muralha Paulista, que auxilia na identificação de veículos utilizados pelos criminosos durante as ações.
Enquanto as forças de segurança reforçam operações contra quadrilhas especializadas, comerciantes afirmam que a prevenção passou a fazer parte da rotina dos estabelecimentos.
O reforço das câmeras, mudanças na disposição dos produtos, treinamento das equipes e maior atenção durante os horários de pico são algumas das medidas adotadas para reduzir os prejuízos.
Mesmo assim, funcionários relatam que o desafio permanece. Em meio ao grande fluxo de clientes, identificar um furto sem prejudicar o atendimento continua sendo uma das maiores dificuldades enfrentadas por supermercados e farmácias.
Para os comerciantes, o problema vai além do valor levado pelos criminosos. A recorrência dos furtos aumenta os custos operacionais, exige investimentos constantes em segurança e altera a rotina de trabalho das equipes, que precisam equilibrar o atendimento aos clientes com a prevenção de perdas.
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