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Médica agredida pelo namorado em SP relata marcas da violência

Samira Khouri, de 27 anos, vive com sequelas físicas e emocionais após agressões do ex-namorado, fisiculturista Pedro Camilo  |  Foto: Reprodução TV Globo

Publicado em 08/07/2026, às 11h43 - Atualizado às 12h04   Foto: Reprodução TV Globo   Tatiana Ribeiro

A médica Samira Khouri, de 27 anos, ainda convive diariamente com as sequelas físicas e emocionais das agressões que sofreu do ex-namorado, o fisiculturista Pedro Camilo Garcia Castro, durante uma viagem a São Paulo.

Meses após o episódio, ela relata que as marcas deixadas pela violência continuam presentes, especialmente ao se olhar no espelho.

"Todos os dias eu me olho e penso que aquela imagem não sou eu. Meu rosto ficou diferente, torto, não parece natural. Levei muito tempo para construir minha autoestima e vê-la ser destruída dessa forma é algo muito difícil de aceitar", desabafa em entrevista ao Fantástico, da TV Globo.

Como aconteceu

O casal havia viajado para celebrar o aniversário de Samira. Segundo a médica, uma discussão teve início enquanto os dois estavam em uma casa noturna.

Após o desentendimento, ela decidiu retornar sozinha ao apartamento alugado pelo casal. Cerca de 30 minutos depois, Pedro chegou ao local e, de acordo com o relato da vítima, iniciou as agressões.

As lesões provocaram graves danos à estrutura facial da médica. "Foram quebrados os ossos que sustentam o globo ocular, além de diversas outras estruturas da face, principalmente do lado esquerdo", segue em relato ao Fantástico.

Fisiculturista preso

Preso preventivamente, o fisiculturista aguarda julgamento. Samira espera que a Justiça reconheça a gravidade do caso e mantenha o enquadramento da investigação como tentativa de feminicídio.

"Meu maior desejo é que o crime seja julgado pelo que realmente aconteceu: uma tentativa de feminicídio. Seria inadmissível que o caso fosse tratado apenas como lesão corporal grave", diz.


Marcas permanentes


De acordo com a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSPSP), somente em maio deste ano, foram registrados 18 feminicídios. Ainda de acordo com a pasta, no mesmo período, os outros crimes contra a mulher de maior ocorrência são: ameaça (8.489), calúnia/difamação e injúria (6.230) e lesão corporal dolosa (5.620).

Ainda segundo a SSP, no período de janeiro a abril de 2026, foram contabilizados 107 casos de feminicídio no estado.

Operação da polícia

Na última quinta-feira (2),  a Polícia Civil de São Paulo realizou uma ação chamada de "Dia D da Operação Mulher Protegida", que prendeu 174 suspeitos de violência contra a mulher em diversas regiões da capital paulista. 

De acordo com o balanço da operação, 98 prisões efetuadas em flagrante e 76 por meio do cumprimento de mandados de prisão preventiva ou definitiva.

Rede de acolhimento e policiamento

Para fazer frente à demanda de denúncias e qualificar o atendimento especializado, o governo estadual informou que mantém em operação uma estrutura composta por 144 unidades físicas de Delegacias de Defesa da Mulher, além de 220 postos de atendimento virtual e remoto para o registro de boletins de ocorrência.

O efetivo conta com mais de 650 policiais civis para o atendimento de crimes baseados em gênero.

A infraestrutura de segurança pública dispõe ainda do suporte operacional da Patrulha SP Mulher Segura, unidade responsável pelo monitoramento preventivo e pela fiscalização do cumprimento das medidas protetivas expedidas pelos juizados de violência doméstica.

Classificação Indicativa: Livre


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