Polícia
Publicado em 22/07/2026, às 13h50 Foto: Reprodução Amanda Ambrozio
Mensagens e áudios obtidos pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) indicam que operadores financeiros ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC) utilizavam dinheiro em espécie para realizar supostos pagamentos de propina a policiais e delegacias da capital paulista.
Segundo o Metrópoles, a estratégia buscava evitar rastreamento por meio de transferências bancárias e garantir proteção a um esquema de lavagem de dinheiro da facção.
As informações fazem parte da Operação Janus, deflagrada na terça-feira (21), que apura a atuação de um "banco paralelo" responsável por ocultar recursos do crime organizado.
Até o momento, 11 investigados foram presos, enquanto outros cinco permanecem foragidos.
De acordo com a investigação, conversas entre Bruno Ramos Fernandes e Robson Martins de Souza mencionam pagamentos destinados ao 13º Distrito Policial (Casa Verde), ao 39º Distrito Policial (Vila Gustavo), a uma Delegacia Seccional da zona norte e ao Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic).
Os investigados utilizavam um código para ocultar os valores, omitindo o último dígito das quantias.
Assim, pagamentos de R$ 7,5 mil e R$ 15 mil eram citados nas mensagens. Em uma das conversas, Robson afirma que um repasse de R$ 15 mil deveria ser feito "todo mês" para a Delegacia Seccional.
Em outra conversa analisada pelos investigadores, o doleiro Raphael Flores Rodriguez ironizou a relação com o Deic ao receber uma foto do prédio da unidade policial.
"Isso aí não é delegacia, é banco. Só deposita, nunca saca", escreveu.
Áudios anexados ao inquérito também mostram Cléber Azevedo dos Santos solicitando a liberação de R$ 100 mil para um suposto pagamento ao Deic e mencionando uma cobrança de R$ 300 mil atribuída a policiais do setor de crimes cibernéticos.
A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP) informou que ainda não irá se manifestar sobre o caso.
Segundo o MP-SP, o grupo investigado atuava convertendo dinheiro em espécie em transferências eletrônicas por meio de empresas de fachada, com o objetivo de ocultar a origem ilícita dos recursos ligados ao PCC.
Ao todo, a Justiça expediu 18 mandados de prisão preventiva e 18 de busca e apreensão.
Entre os presos estão Cléber Azevedo dos Santos, Robson Martins de Souza, Bruno Ramos Fernandes e Marcelo de Morais Oliveira.
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